Lula fala sobre recomprar refinaria, formação de estoques de combustível e parceria com Pemex
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20 Mar (Reuters) - Em momento em que o país lida com questões relacionadas ao aumento dos preços de combustíveis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou nesta sexta-feira que a Petrobras poderá recomprar a Refinaria de Mataripe (antiga Refinaria Landulpho Alves - Rlam), na Bahia.
"Vamos comprar de volta a refinaria na Bahia. Pode demorar um pouco, mas nós vamos", disse Lula, ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante evento na refinaria da Petrobras em Minas Gerais (Regap).
A refinaria foi vendida pela petroleira para a Acelen, do fundo Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos, durante o governo de Jair Bolsonaro.
A unidade chegou a ser objeto de interesse da Petrobras, para uma eventual recompra quando Lula voltou à Presidência, mas não houve mais notícias sobre o assunto.
Mataripe é a segunda maior refinaria do país em capacidade e deverá elevar a produção de diesel de 12,4 mil para 13,7 mil metros cúbicos por dia (m³/dia) a partir de junho, disse um executivo da companhia à Reuters em fevereiro, sinalizando também planos futuros da companhia privada.
Procuradas para comentar a declaração de Lula, a Petrobras não respondeu imediatamente, enquanto a Acelen encaminhou o pedido para o fundo Mubadala, que não quis comentar.
Os preços do diesel no Brasil, que importa cerca de 25% de suas necessidades, já subiram cerca de 20% desde o início da guerra, com impacto da alta do petróleo que disparou após os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O tema é olhado com atenção pelo governo, já que pode afetar a popularidade do presidente que tentará a reeleição em outubro.
Lula afirmou ainda, no evento em Minas Gerais, que o governo e a Petrobras deveriam pensar em estoques de combustíveis, como forma de amortecer impactos de guerras e outras crises.
"Eu falei para a Magda -- isso não é uma coisa rápida, isso é uma coisa que leva tempo --, mas é uma coisa estratégica que a Petrobras e o governo têm que pensar. Nós precisamos ao longo do tempo construir um estoque regulador para a gente não ser vítima do que está acontecendo hoje", disse o presidente.
"E se essa guerra durar 30 dias? E se essa guerra durar 40 dias? E se o Irã não deixar sair nenhum barril de petróleo do Estreito de Ormuz?"
Segundo ele, um país "soberano" tem que ter um estoque de produtos básicos, como arroz e feijão. "Até para que quando tiver especulação no mercado, a gente possa liberar do nosso estoque para baratear o preço."
PARCERIA COM PEMEX
O presidente também disse nesta sexta-feira que propôs uma parceria entre as empresas estatais de energia Petrobras e Pemex, do México, para explorar petróleo no Golfo do México.
"A pedido dela (Magda) eu liguei para a presidenta do México, a companheira Claudia (Sheinbaum). Você sabia que a Pemex pode ter uma ajuda muito grande da Petrobras para explorar petróleo junto com a Pemex no Golfo do México, a 2.500 metros de lâmina d'água?"
A Petrobras, a Pemex e o gabinete de Sheinbaum não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
A Petrobras opera no Golfo do México por meio de uma joint venture com a Murphy Exploration & Production.
A Pemex tem tentado avançar com projetos complexos no Golfo, incluindo o desenvolvimento da exploração de gás em águas profundas de Lakach, mesmo com a produção de seus campos offshore mais antigos em queda.
(Por Marta Nogueira, Maria Carolina Marcello, Gabriel Araujo e Fábio Teixeira; reportagem adicional de Diego Ore e Natalia Siniawski)
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