Dólar cai ante o real com expectativa de acordo entre EUA e Irã
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 25 Mar (Reuters) - O dólar fechou a quarta-feira em baixa no Brasil, com os investidores se apegando à esperança de que EUA e Irã possam chegar a um acordo de paz no Oriente Médio, enquanto no exterior a moeda norte-americana tinha sinais mistos no fim da tarde.
O dólar à vista fechou com queda de 0,65%, aos R$5,2209. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 4,88%.
Às 17h07, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,35% na B3, aos R$5,2240.
Na terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, falou em progresso nas negociações com o Irã, que incluiria uma importante concessão de Teerã. Uma fonte em Washington também confirmou que os EUA enviaram ao Irã uma proposta de acordo com 15 pontos, confirmando reportagem do New York Times sobre o assunto.
Nesta quarta-feira, uma autoridade citada pela iraniana Press TV informou que o Irã analisou o plano dos EUA para encerrar a guerra, mas considerou suas condições excessivas. Conforme a autoridade, Teerã encerrará a guerra somente quando escolher fazer isso e se suas condições forem atendidas.
Durante a tarde, foi a vez de a Casa Branca afirmar que Trump vai atacar o Irã com mais força se Teerã não aceitar que foi "derrotado militarmente".
Neste cenário, o dólar recuou ante o real durante todo o dia, em sintonia com algumas outras moedas de países emergentes.
“Tivemos uma valorização mais significativa do dólar ante o real ontem, mas a sinalização sobre a possibilidade de paz no Oriente Médio reduz os prêmios de risco hoje”, comentou à tarde João Duarte, especialista em câmbio da One Investimentos. “Há uma elevada sensibilidade ao noticiário geopolítico, e a possibilidade de trégua traz um alívio pontual.”
Após marcar a cotação máxima de R$5,2497 (-0,10%) às 10h50, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,2049 (-0,95%) às 15h22.
No restante da sessão, o dólar se manteve no território negativo, ainda que no exterior a moeda norte-americana exibisse ganhos ante boa parte das demais divisas. Às 17h07, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,46%, a 99,641.
Pela manhã, sem efeitos maiores nas cotações, uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto para um eventual segundo turno da eleição presidencial de outubro. Já o petista segue na liderança nos cenários de primeiro turno.
Nas quatro simulações de primeiro turno em que Lula e Flávio aparecem como candidatos, o petista soma 46% das intenções de voto em todas elas, ao passo que o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem entre 36% e 42%. Na simulação de segundo turno, Flávio tem 47,6% e Lula soma 46,6%. A margem de erro é de 1 ponto-percentual.
À tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$4,724 bilhões em março até o dia 20 -- período que coincide com as três primeiras semanas da guerra no Oriente Médio.
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