Dólar oscila perto da estabilidade com atenções voltadas para o exterior
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 30 Mar (Reuters) - O dólar oscila perto da estabilidade ante o real, com os investidores atentos aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, que mantêm a moeda norte-americana em alta ante parte das divisas de países emergentes no exterior.
Às 11h28, o dólar à vista subia 0,18%, aos R$5,2487 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para abril -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,13%, aos R$5,2490.
As atenções seguem voltadas para os desdobramentos da guerra que opõe EUA e Israel contra o Irã.
Nesta segunda-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o país está em negociações para encerrar o conflito, mas reiterou aviso para que Teerã abra o Estreito de Ormuz, ou corra o risco de sofrer ataques a seus poços de petróleo e usinas de energia. Trump também ameaçou atacar as usinas de dessalinização que fornecem água ao Irã.
Já o Irã qualificou as propostas de paz dos EUA como "irrealistas, ilógicas e excessivas" e lançou mais mísseis contra Israel.
Neste cenário, o petróleo tipo Brent voltou a subir nesta manhã, para acima dos US$113 o barril, e o dólar mantinha ganhos ante divisas de emergentes como o peso chileno e o rand sul-africano.
Em relação ao real, porém, o movimento é mais acomodado até o momento, em uma manhã em que o Ibovespa ensaia uma recuperação e as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) exibem baixas.
Mais cedo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou que os choques de oferta como o observado neste momento com o conflito no Irã provavelmente pressionam a inflação para cima e a atividade econômica para baixo. No entanto, ele defendeu que a instituição tenha cautela ao incorporar o impacto da guerra em seus cenários.
"O Banco Central tem toda uma governança justamente para tentar aparar as pontas, para que a gente não tenha posições mais extremadas sobrepondo o processo de decisão de política monetária", disse.
Atualmente, o mercado está dividido sobre o que o BC anunciará em abril: novo corte de 25 pontos-base da Selic, manutenção da taxa básica em 14,75% ao ano ou redução de 50 pontos-base.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem sido um fator de alta para a moeda norte-americana.
Na sexta-feira, o dólar à vista fechou o dia com elevação de 0,70%, aos R$5,2574.
(Edição de Paula Arend Laier e Isabel Versiani)
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