Safra recorde de grãos em 2025/26 pressiona demanda por temporários na "safra de verão"

Publicado em 01/04/2026 10:48
Com colheita de soja avançando e operações mais complexas em campo, armazéns e transporte, especialista em RH aponta onde a falta de trabalhadores costuma travar a temporada e como empresas podem se preparar

A safra de verão já movimenta o agro brasileiro em ritmo acelerado — e, com ela, cresce a corrida por mão de obra temporária para sustentar as etapas mais críticas da operação: colheita, recebimento, armazenagem, classificação, manutenção e logística. O alerta ganha força em um ano em que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima um novo recorde para o ciclo 2025/26, com 353,4 milhões de toneladas de grãos, além de indicar que a produção de soja pode atingir 177,8 milhões de toneladas.

Segundo Bruna Paleari, Diretora de RH da EDC Group, consultoria de recrutamento e seleção com mais de 15 anos de expertise, o desafio não está apenas em “ter gente”, mas em montar equipes com rapidez, turnos bem definidos e funções que exigem preparo prático. “Quando a produção engrena, a operação não perdoa improviso, seja na indústria, construção civil ou no agro. O que falta, muitas vezes, é mão de obra disponível no timing certo e, principalmente, trabalhadores com habilidade para rodar o dia a dia com segurança e disciplina”, afirma.

Safra maior, operação mais complexa

Além do volume projetado, a Conab aponta que as principais culturas de primeira safra já estão em fase de colheita e que, no caso da soja, cerca de 50,6% da área semeada já havia sido colhida na data de referência do levantamento. Esse avanço costuma deslocar a pressão do campo para os bastidores: filas em armazéns, gargalos de transporte, necessidade de reforço nos pátios e aumento de demanda por equipes temporárias em períodos curtos.

“Na safra de verão, não é só o operador de máquina que faz falta. A demanda explode também para funções de apoio, como conferência, pesagem, organização de pátio, classificação, controle de qualidade e times de suporte administrativo que garantem que o fluxo não pare”, diz Paleari.

Mão de obra mais cara e mais difícil de contratar

A escassez de mão de obra no agro não é novidade, e vem sendo apontado por instituições do setor como um desafio estrutural. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) destaca que a escassez de mão de obra rural tende a ser crescente, pressionando custos e impactando decisões operacionais.

Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho do agro permanece aquecido e mais complexo. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a CNA, mostram que, no 2º trimestre de 2024, o agronegócio empregou 28,6 milhões de pessoas (recorde da série) e que o crescimento foi puxado principalmente por agroindústrias e agrosserviços, justamente áreas onde a sazonalidade e a demanda por operação/serviços aumentam na colheita.

“Além da escassez local, há um desafio prático recorrente: em muitas regiões, a colheita exige reforço rápido de equipe e, por isso, parte das empresas precisa atrair trabalhadores de outros estados por períodos curtos, como dois meses, o que aumenta a complexidade de seleção, mobilização, alojamento e gestão de turnos. Nesse cenário, contar com apoio especializado ajuda a ganhar velocidade sem perder conformidade e organização”, complementa a diretora da EDC Group.

Como as empresas podem se preparar

Para a executiva, há três frentes práticas que ajudam empresas a atravessar a safra com menos risco:

Planejamento de demanda por função (não só por cabeça): mapear quais posições viram gargalo (pátio, balança, classificação, manutenção, apoio administrativo) e dimensionar turnos e folgas antes do pico;
Treinamento rápido e rotina de segurança: mesmo em vagas temporárias, padronizar integração, checklist e supervisão reduz falhas e retrabalho, especialmente em ambientes com máquinas e fluxo intenso.

Contratação com documentação e governança desde o início: sazonalidade não combina com improviso. Processos claros (ponto, jornada, escala, canal de dúvidas) evitam ruído e aumentam retenção até o fim do contrato.

“Temporário não é ‘bico’. Ele é um modelo regulado com proteção tanto para a empresa quanto para o trabalhador. Na safra, isso significa reforçar rotinas de integração e segurança para reduzir falhas e acidentes no dia a dia. Quando a empresa trata a contratação sazonal como um projeto, com metas, prazos e liderança, o resultado aparece em produtividade e em menos perdas”, conclui Paleari.

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Fonte:
EDC Group

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