Caso Master abala imagem do STF e mudanças precisam ser feitas, diz Lula
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Por Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA, 8 Abr (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que as acusações contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro abalam a imagem da Suprema Corte, e defendeu que algumas mudanças precisam ser feitas.
"Prejudica a imagem e, obviamente, o companheiro Alexandre de Moraes sabe que prejudica. Você pode ter uma coisa que é legal, mas nas circunstâncias o que acontece é que o povo trata como uma coisa imoral. E em um ano político as pessoas vão tratar de dar destaque para isso", disse Lula em entrevista ao site ICL Notícias.
O escritório de advocacia da esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, teria recebido, em um contrato ao longo de 2024 e 2025, cerca de R$80 milhões do Banco Master, de Vorcaro, de acordo com dados da Receita Federal repassados à CPI do Crime Organizado e revelados pelo jornal Folha de S.Paulo.
Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes detalhou vários serviços prestados ao Master, mas ressaltou que nunca representou o banco no STF.
Lula defendeu Moraes e afirmou que o ministro virou alvo da oposição por seu papel nas investigações da tentativa de golpe de Estado do 8 de janeiro de 2023, que resultaram na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O presidente revelou ter conversado com o ministro do Supremo sobre o caso, e disse que o magistrado precisa se defender e deixar clara sua posição.
"Diga textualmente: 'A minha mulher estava advogando, a minha mulher não tem que pedir licença para mim. Eu só prometo que, aqui na Suprema Corte, caso da minha mulher eu me sentirei impedido de votar.' Alguma coisa que passe para a sociedade uma firmeza, que ele tem", disse Lula.
Lula não mencionou o também ministro do STF Dias Toffoli, originalmente relator da investigação do caso Master, mas que abdicou da relatoria após a revelação de várias ligações entre sua família e Vorcaro, além de indícios de que ele mesmo teria uma relação com o banqueiro.
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo BC no ano passado, e Vorcaro foi preso após operações da PF que investigam suspeita de fraudes bilionárias e suposto comprometimento das apurações das autoridades.
Na entrevista, Lula defendeu alguma reforma na Suprema Corte. Ele afirmou que uma decisão tomada pelos ministros não pode ser contestada por ninguém, e disse que os magistrados precisam ter consciência de que não estão sendo indicados para o cargo para ganharem dinheiro.
"As pessoas têm que fazer uma opção. Quando vai para a Suprema Corte tem que ter um compromisso quase religioso. Ele não está lá para ganhar dinheiro, está para cuidar da nossa Constituição e da nossa democracia", afirmou. "Então temos que pensar como a gente regula isso numa Constituição. Vai ter mandato? De quanto tempo? Tem que criar critérios", disse Lula.
O presidente demonstrou, ainda, preocupação com os efeitos da crise no STF nas próximas eleições.
O impeachment de ministros do Supremo é uma das pautas da extrema-direita, tendo como alvo principal Moraes, visto como algoz de Bolsonaro. Cabe ao Senado decidir sobre abrir um processo contra os ministros do STF, e a disputa por assentos na Casa será acirrada na eleição de outubro.
"Todo mundo tem que ter clareza que a extrema-direita vai utilizar o caso do Banco Master, envolvimento com a Suprema Corte, na campanha. Vão fazer pedindo voto. 'Quem quiser caçar a Suprema Corte, vote tal deputado ou tal senador.' Vai ser assim a campanha, isso já está dito, isso já está explicitado", disse o presidente.
(Reportagem de Lisandra Paraguassu; Edição de Pedro Fonseca)
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