Produtores de cana pressionam governo de Pernambuco por apoio diante da alta de custos
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Representantes do setor sucroalcooleiro realizaram uma mobilização na Assembleia Legislativa de Pernambuco para pressionar o poder público por medidas emergenciais de apoio. O movimento ocorre em meio à alta dos custos de produção e à queda na rentabilidade da atividade, especialmente entre pequenos produtores.
Organizado pela Associação dos Fornecedores de Cana-de-Açúcar de Pernambuco e pelo Sindicape, o ato reuniu cerca de 10 mil produtores representados pelas entidades. A concentração ocorreu na terça-feira (7), na sede da Alepe, de onde os manifestantes seguiram em caminhada até o Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual. Durante o percurso, o grupo chegou a interditar o trânsito na ponte Princesa Isabel.
Pressão por fertilizantes
A principal demanda do setor é a criação de um programa estadual para aquisição de fertilizantes, considerados essenciais para garantir a continuidade da produção diante do aumento dos custos.
Os produtores também pressionam pela votação dos vetos da Lei Orçamentária Anual (LOA), que trata da margem de remanejamento de recursos pelo Executivo. O impasse envolve uma disputa entre governo e oposição: enquanto a proposta original previa uma margem de 20%, parlamentares reduziram o percentual para 10% nas comissões — medida posteriormente vetada pela governadora Raquel Lyra.
“Sem a possibilidade de remanejar esses recursos, o governo não consegue fazer a doação dos fertilizantes. O calendário agrícola já começou e estamos sem matéria-prima”, afirma Alexandre Andrade Lima.
Caso a votação não ocorra até a próxima semana, liberando os R$ 70 milhões solicitados para a compra de 36 mil toneladas de fertilizantes, as entidades prometem uma nova mobilização no dia 15 de abril.
Pequenos produtores são os mais afetados
De acordo com as entidades, a crise atinge de forma mais intensa os pequenos fornecedores. Cerca de 92% dos produtores de cana em Pernambuco são agricultores familiares, responsáveis por 23% da produção estadual.
Com produção média de até mil toneladas por propriedade, esse grupo tem menor capacidade de absorver oscilações de custos e preços. Já os grandes produtores concentram 77% da produção total do estado.
Diante desse cenário, o setor defende a distribuição de fertilizantes como medida emergencial para evitar a redução da produção e garantir a sustentabilidade da atividade.
Assembleia
Em nota, a Alepe afirmou estar disponível para analisar, com celeridade, propostas que visem apoiar o setor sucroalcooleiro, destacando que a iniciativa de alteração da LOA cabe ao Poder Executivo.
A Casa também informou que o projeto em discussão já teve parecer aprovado em comissão, mas ainda não foi votado em plenário por ausência da base governista no momento da deliberação.
Em outro comunicado, a Assembleia rebateu críticas sobre falta de diálogo com os produtores. Segundo a instituição, a suspensão das atividades presenciais no dia do protesto ocorreu devido às fortes chuvas, seguindo protocolos adotados por outros órgãos públicos e instituições de ensino. A Alepe reforçou ainda que mantém abertura para o diálogo com o setor.
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