Guerra prolongada no Irã pode exigir aperto doloroso de BCs, diz economista-chefe do FMI
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Por David Lawder
WASHINGTON, 14 Abr (Reuters) - Os bancos centrais talvez precisem impor muito mais sacrifícios econômicos para controlar a inflação alimentada por uma longa guerra no Oriente Médio, do que fizeram para controlar o aumento de preços após a pandemia, disse nesta terça-feira o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Pierre-Olivier Gourinchas.
Quando a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 elevou os preços do petróleo para acima de US$100 por barril, uma economia pós-Covid já superaquecida significava que pequenos aumentos nas taxas de juros contribuíram significativamente para esfriar a demanda, disse Gourinchas, em uma entrevista.
Porém, com muito mais folga na economia atual, incluindo um mercado de trabalho mais fraco e ampla oferta da maioria dos bens e serviços, pode ser necessário um aperto monetário muito mais forte, principalmente se as expectativas de inflação se desancorarem, disse Gourinchas.
"Pisar no freio será doloroso" em um ambiente como esse, disse o economista no início das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, em Washington.
"Talvez seja necessário infligir muito mais dor para obter o mesmo resultado de desinflação."
No entanto, não está claro o quanto os bancos centrais precisarão se esforçar para combater os efeitos do aumento dos preços de petróleo, gás e outras commodities, considerando a incerteza sobre como o conflito se desenvolverá.
Nesta terça-feira, o FMI reduziu sua perspectiva de crescimento global para 2026 para 3,1%, uma queda de 0,2 ponto percentual em relação a janeiro, com base na suposição de que a guerra terá vida curta e que o petróleo será negociado a uma média de US$82 por barril este ano.
No "cenário adverso" da instituição, que prevê um conflito mais longo e preços do petróleo com média de US$100, o crescimento desacelera para 2,5%.
Seu "cenário severo" prevê um conflito prolongado, com preços médios do petróleo de US$110 em 2026 e US$125 em 2027. O crescimento cai para 2,0% este ano, o que o FMI vê como a beira de uma recessão global.
A principal preocupação em um ambiente como esse é que as expectativas de inflação possam se desancorar, disse Gourinchas, acrescentando que o choque inflacionário de 2022 tornou as pessoas hipersensíveis aos preços.
As empresas aumentariam os preços mais prontamente e os trabalhadores seriam mais rápidos em buscar salários mais altos, disse ele.
"Quando chegarmos a esse mundo, as pessoas vão olhar para isso e dizer: a inflação chegou e veio para ficar."
(Reportagem de David Lawder)
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