Safra de trigo da Ucrânia é revisada para baixo, mas ainda deve ser a maior desde 2022

Publicado em 14/04/2026 15:37 e atualizado em 14/04/2026 16:29
Ajuste na área colhida reduz projeção, enquanto clima seco nos Estados Unidos sustenta preços globais; cenário tem reflexos diretos para o Brasil, dependente de importações

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A previsão para a safra de trigo da Ucrânia em 2026 foi revisada para baixo, mas ainda aponta para o maior volume desde o início da guerra em 2022. O ajuste reflete principalmente mudanças na área colhida, enquanto a produtividade esperada foi mantida, preservando uma perspectiva relativamente positiva para a oferta global. Segundo dados divulgados pela consultoria Argus, a produção ucraniana foi estimada em cerca de 23,5 milhões de toneladas, abaixo da projeção anterior de 23,9 milhões. Mesmo com o corte, o volume permanece acima da média recente e representa o maior desde o início do conflito.

A revisão ocorreu principalmente pela redução da área colhida, estimada em aproximadamente 5,1 milhões de hectares. O rendimento esperado foi mantido em torno de 4,6 toneladas por hectare, levemente superior ao observado na temporada anterior. Outras consultorias também apresentaram números mais conservadores. A APK-Inform, por exemplo, indicou produção próxima de 19,9 milhões de toneladas, refletindo cautela diante das condições climáticas e das incertezas logísticas ainda presentes no país.

O inverno com períodos de frio intenso pressionou o potencial produtivo das lavouras, mas condições mais favoráveis a partir de fevereiro ajudaram a preservar parte do desenvolvimento das plantas. Ainda assim, novas revisões permanecem possíveis ao longo do ciclo, à medida que o desenvolvimento das lavouras avance e dados oficiais sejam atualizados.

Paralelamente, o mercado internacional recebeu suporte das preocupações climáticas nos Estados Unidos. Os contratos futuros do trigo negociados em Chicago avançaram após o mercado reagir ao clima seco em regiões produtoras norte-americanas. A alta ocorreu depois de os preços testarem mínimas recentes e refletiu o receio de que a falta de chuvas possa reduzir a produtividade das lavouras. Esse movimento ajudou a sustentar as cotações globais, limitando quedas mais acentuadas mesmo diante da perspectiva de maior produção na região do Mar Negro.

Esse contexto tem impacto direto sobre o Brasil, que permanece estruturalmente dependente das importações para suprir o consumo interno. Como a produção nacional não atende à demanda doméstica, o país precisa recorrer ao mercado externo, principalmente à Argentina, mas com preços fortemente influenciados pelas cotações internacionais. Dessa forma, uma safra maior na Ucrânia tende a ampliar a oferta global e contribuir para limitar altas, enquanto problemas climáticos nos Estados Unidos funcionam como fator de sustentação dos preços.

Com esse equilíbrio entre oferta relativamente mais confortável no Mar Negro e riscos climáticos no hemisfério norte, o mercado global de trigo segue sensível às condições climáticas e às revisões de produção. Para o Brasil, essa dinâmica se traduz em volatilidade nos custos de importação e, consequentemente, nos preços internos, já que o país acompanha diretamente as oscilações internacionais para compor sua disponibilidade doméstica.
 

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Por:
Priscila Alves Inst. @priscilaalvestv
Fonte:
Notícias Agrícolas

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