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Inmet: Previsões recentes apontam novo aumento da probabilidade do El Niño em 2026

Publicado em 24/04/2026 17:17
Probabilidade de formação do fenômeno supera 60% a partir do trimestre maio–junho–julho

O que é o fenômeno El Niño?

O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Ele faz parte do sistema conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O ENOS é a junção do El Niño, que é a componente térmica oceânica, e o IOS (Índice de Oscilação Sul) que é a componente atmosférica. O ENOS alterna entre três fases: El Niño (quente ou positiva), La Niña (fria ou negativa) e condição neutra.

Durante o episódio de El Niño, as temperaturas da superfície do mar ficam, no mínimo, 0,5°C acima da média por um longo período. Vale lembrar que o fenômeno não possui um período de duração definido, podendo persistir por mais de dois anos.

Durante a formação do El Niño, o comportamento dos ventos alísios tem papel fundamental. Os alísios são ventos constantes vindos dos Hemisférios Sul e Norte que se encontram na região da Linha do Equador e seguem do leste para o oeste do planeta Terra.

Normalmente, o movimento dos ventos interfere no Oceano Pacífico e empurra as águas da superfície para o oeste, permitindo que as mais profundas e frias subam. No entanto, quando os ventos alísios estão enfraquecidos ou invertem a direção, essa troca de águas não ocorre e as mais quentes permanecem por mais tempo paradas na superfície, podendo chegar até 3°C ou mais acima da média, formando, assim, o El Niño.

Previsões apontam aumento da probabilidade do fenômeno

No Brasil, o El Niño provoca efeitos opostos entre o norte e o sul do Brasil. Normalmente, o fenômeno aumenta o risco de seca na faixa norte das regiões Norte e Nordeste, enquanto favorece grandes volumes de chuva no Sul do País.

As mais recentes previsões do Centro de Previsão Climática (CPC) da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) emitidas em 20 de abril indicam aumento da probabilidade de formação do fenômeno El Niño ao longo de 2026. Segundo o boletim, encerrou-se a fase de La Niña e está vigente a neutralidade no Pacífico equatorial central (mais especificamente, a região do Niño 3.4), com 80% de chance de persistência até o fim do primeiro semestre. No trimestre junho-julho-agosto, há 79% de probabilidade de estabelecimento de El Niño, subindo para mais de 80% no trimestre julho-agosto-setembro. A partir do trimestre agosto-setembro-outubro, a chance de estabelecimento de El Niño é igual ou maior que 90%, com a persistência do fenômeno até o próximo ano.

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Figura 1: Previsão de probabilidade de El Niño, La Niña e neutralidade em cada trimestre de 2026. Fonte: CPC/NOAA.
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Figura 2: Desvio de TSM (°C) para a primeira quinzena de abril de 2026. Elaboração: INMET. Fonte dos dados: CPC/NOAA.

 

Impactos do El Niño sobre a agricultura

A agricultura é um dos setores mais sensíveis aos efeitos climáticos associados ao fenômeno El Niño, uma vez que alterações nos padrões de precipitação e temperatura impactam diretamente o desenvolvimento das culturas e sua produtividade. Durante esses episódios, observa-se nas regiões Norte, Nordeste e na porção norte do Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, uma tendência de redução das chuvas e maior frequência de períodos de estiagem, o que compromete o desempenho das lavouras e a disponibilidade hídrica, elevando o risco de perdas, especialmente em sistemas de sequeiro.

Por outro lado, na Região Sul, o El Niño costuma estar associado ao aumento dos volumes de precipitação, sobretudo durante o inverno e a primavera, resultando em excesso de umidade no solo. Esse cenário também pode ser prejudicial às culturas, afetando o manejo agrícola e favorecendo a ocorrência de problemas fitossanitários.

Para o cultivo de cereais de inverno na Região Sul, por exemplo, os meses mais críticos costumam coincidir com os períodos mais chuvosos, especialmente entre setembro e outubro. Nessas condições, as culturas são mais suscetíveis ao excesso hídrico ao longo do ciclo fenológico, sobretudo nas fases de floração, enchimento de grãos e maturação, o que pode comprometer o desenvolvimento e reduzir a produtividade. Além disso, a elevada umidade no solo favorece a ocorrência de doenças fúngicas, prejudica a qualidade dos grãos e dificulta o tráfego de máquinas, limitando a realização adequada das práticas de manejo.

Quanto à safra de verão, os impactos variam conforme a região, pois no Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste e Sudeste, a redução das chuvas durante os anos de El Niño, podem aumentar a frequência de veranicos, especialmente na primavera e início do verão. Isso pode prejudicar a implantação das lavouras (plantio) e o desenvolvimento inicial de culturas como soja e milho, além de aumentar o risco de perdas em sistemas de sequeiro.

Já na Região Sul, o aumento das chuvas na primavera e início do verão durante os eventos, pode favorecer a disponibilidade hídrica, porém o excesso de chuva pode causar o encharcamento do solo, aumentar a incidência de doenças fúngicas, dificultar o plantio e os tratos culturais, bem como impactar a qualidade e a colheita.

É importante ressaltar que os possíveis impactos deste cenário nas culturas irão depender de outros fatores, como as temperaturas da superfície do mar nos oceanos Atlântico Tropical e Sul, bem como a intensidade do fenômeno.

Tabela 1: Impacto do fenômeno ENOS na cultura de trigo na Região Sul do Brasil. Fonte: Dados estaduais de produtividade do trigo de 1996-2025 (CONAB).

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Tabela 2: Impacto do fenômeno ENOS na cultura de aveia na Região Sul do Brasil. Fonte: Dados estaduais de produtividade da aveia de 1996-2025 (CONAB).

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Resumo

De acordo com as projeções mais atualizadas da NOAA, há cerca de 80% de chance de manutenção da neutralidade no Pacífico equatorial até o fim do primeiro semestre. A partir do trimestre maio–junho–julho, a probabilidade de formação do El Niño supera 60%, podendo ultrapassar 90% no segundo semestre de 2026

O fenômeno El Niño impacta a agricultura brasileira de formas distintas, agravando a estiagem e o risco de perdas em culturas de sequeiro nas regiões Norte, Nordeste e partes do Centro-Oeste e Sudeste, enquanto favorece o excesso de chuvas na Região Sul. Nesta região, o aumento das chuvas pode provocar encharcamento do solo, favorecer doenças fúngicas e dificultar as operações no campo, com efeitos particularmente severos sobre os cereais de inverno. Ainda assim, a intensidade desses impactos depende da força do fenômeno e da interação com as condições térmicas dos oceanos Atlântico e Índico.

 

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Fonte:
Inmet

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