Febre aftosa avança em Chipre e atinge suinocultura em meio a cenário sanitário complexo
Os surtos de Febre aftosa seguem se expandindo na República de Chipre e passaram a impactar diretamente a suinocultura local. Em meados de abril de 2026, três granjas de suínos situadas a cerca de 10 quilômetros a leste de Nicósia foram confirmadas com a presença do vírus, elevando o nível de alerta sanitário na região.
De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde Animal, as três propriedades concentravam um volume expressivo de animais, totalizando mais de 21 mil suínos que precisaram ser abatidos como medida de contenção. As unidades estavam localizadas a menos de 400 metros umas das outras, fator que pode ter contribuído para a rápida disseminação do vírus.
Número de focos ultrapassa 100 propriedades no país
A situação sanitária em Chipre tem se agravado nas últimas semanas. Segundo a WOAH, já são 102 propriedades afetadas pela febre aftosa, incluindo criações de bovinos, ovinos e caprinos, com maior concentração nos distritos de Nicósia e Larnaca. Apesar disso, a maioria dos casos ainda está associada a rebanhos de ovinos e caprinos.
A introdução do vírus em granjas de suínos representa um novo estágio da disseminação da doença, ampliando os riscos para a cadeia produtiva de proteínas animais na região.
Proximidade com zona tampão levanta desafios de controle
Um dos fatores que complicam o controle da doença é a localização dos focos próximos à chamada Zona Tampão da ONU em Chipre, que divide a ilha desde 1974. Essa área, com cerca de 180 quilômetros de extensão, separa a parte sul, reconhecida internacionalmente, do território ao norte, conhecido como Chipre do Norte.
A proximidade dos surtos com essa zona levanta hipóteses sobre a origem da infecção, já que o fluxo de informações sanitárias na região norte é mais limitado. Como apenas países reconhecidos internacionalmente reportam oficialmente à WOAH, há restrições no acesso a dados detalhados sobre a situação epidemiológica nessa área.
Indícios apontam para circulação prévia do vírus no norte da ilha
Relatos anteriores indicam que o vírus já circulava no norte de Chipre desde dezembro de 2025. Informações divulgadas por entidades veterinárias apontaram focos próximos a localidades como Ayios Sergios e Lapithos, com confirmação da cepa SAT-1 por laboratório na Turquia.
Na ocasião, medidas como vacinação emergencial teriam sido adotadas, mas a limitação de dados públicos dificulta a avaliação completa da evolução da doença naquela região.
Chipre estava oficialmente livre da febre aftosa desde 2008, e os primeiros registros do atual surto na parte sul foram reportados à WOAH em fevereiro de 2026.
Casos também persistem na Grécia e ampliam alerta regional
A disseminação da doença não se restringe a Chipre. Na Grécia, a ilha de Lesbos também enfrenta surtos ativos de febre aftosa. Até o momento, 43 propriedades foram afetadas, principalmente com rebanhos bovinos, ovinos e caprinos, embora não haja registro de infecção em suínos na região.
O avanço da doença no leste do Mediterrâneo reforça a necessidade de vigilância sanitária rigorosa e cooperação internacional para conter a propagação, especialmente em áreas com desafios geopolíticos que dificultam o monitoramento contínuo.
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