Dias quentes reduzem peso de suínos e geram prejuízos milionários ao setor
Os períodos de temperaturas elevadas impõem um desafio recorrente e oneroso à suinocultura: a redução no peso das carcaças causada pelo estresse térmico. Em média, cada animal pode perder entre 2,7 e 5,4 quilos nessas condições, impacto que, quando acumulado ao longo da estação, representa prejuízos estimados em até US$ 450 milhões anuais para o setor.
O problema vai além do calor. Para reduzir a produção de calor metabólico, os suínos diminuem naturalmente o consumo de ração durante momentos de estresse térmico. No entanto, muitas dietas tradicionais acabam intensificando esse efeito. Ingredientes como grãos secos de destilaria de milho, farelo de trigo e gérmen de milho, amplamente utilizados nas fases de crescimento e terminação, tendem a reduzir ainda mais a ingestão alimentar, comprometendo o ganho de peso justamente no período em que os animais deveriam apresentar melhor desempenho, geralmente nos meses de julho e agosto, quando os preços de mercado são mais elevados.
Historicamente, a adoção de dietas com alta densidade energética, enriquecidas com gordura, foi uma alternativa para mitigar essas perdas. Contudo, o aumento nos preços desse insumo tem tornado a estratégia economicamente inviável, levando produtores e nutricionistas a buscar soluções mais eficientes e acessíveis.
Nesse cenário, o farelo de soja ganha destaque como uma alternativa estratégica. Embora seja amplamente reconhecido como fonte de proteína de alta qualidade, estudos recentes indicam que seus benefícios vão além desse aspecto. A fração não proteica do ingrediente contém compostos bioativos, como polifenóis, terpenoides, peptídeos e fibras funcionais, que contribuem para a saúde intestinal, a resposta imunológica e o crescimento dos animais, especialmente em condições de estresse térmico. Diferentemente de outros ingredientes, o farelo de soja não reduz o consumo de ração.
“A persistente queda no peso da carcaça durante os meses de verão continua sendo um problema crítico na indústria”, afirmou o Dr. R. Dean Boyd, consultor da Nutrition Research, LLC, durante participação no podcast Swine Nutrition Blackbelt. “Essa queda no peso da carcaça e as consequentes perdas financeiras durante esse período podem ser bastante minimizadas com o uso estratégico de níveis mais elevados de farelo de soja nas dietas de crescimento e terminação.”
A recomendação é reforçada pelo Dr. David Rosero, professor assistente de zootecnia na Universidade Estadual de Iowa. “É preciso encontrar o nível ideal de farelo de soja para favorecer o crescimento. Nossos testes de campo mostraram que dietas ricas em farelo de soja, sem grãos secos de destilaria ou adição de gordura, proporcionaram o melhor desempenho e lucratividade durante o verão”, destacou.
Ensaios de campo indicam que a adoção de dietas com maior participação de farelo de soja pode gerar ganhos médios de até 2,5 quilos por animal, mesmo durante o pico do estresse térmico. Além disso, a estratégia contribui para a redução dos custos com alimentação ao eliminar a necessidade de suplementação com gordura, melhora o suporte imunológico e a eficiência nutricional e pode aumentar a receita em até US$ 14 por suíno, considerando preços de mercado recentes.
Especialistas destacam que o planejamento antecipado é fundamental para o sucesso da estratégia. “É preciso começar a alimentar esses porcos para o verão na primavera”, explicou Rosero. “Dessa forma, quando o calor chegar, suas dietas já estarão otimizadas para manter o crescimento.”
As conclusões fazem parte da série de pesquisas Soy Effect, financiada pelo United Soybean Board, que investiga o valor nutricional e econômico do farelo de soja na alimentação animal. Além dos benefícios produtivos, a cadeia de produção da soja nos Estados Unidos também é apontada como fator relevante, com práticas agrícolas voltadas à sustentabilidade, como plantio direto, uso de culturas de cobertura, manejo eficiente de nutrientes e sequestro de carbono, garantindo matéria-prima de qualidade e consistência nutricional.
Diante de um cenário de custos elevados e desafios climáticos, o farelo de soja se consolida como uma ferramenta eficaz para manter o desempenho produtivo, preservar o valor das carcaças e assegurar a rentabilidade da atividade suinícola nos períodos mais quentes do ano.
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