PIB do setor de soja e biodiesel do Brasil deve reduzir ritmo após crescer 11,7% em 2025
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O PIB da cadeia da soja e do biodiesel do Brasil cresceu 11,72% em 2025, com impulso de uma safra recorde e do maior processamento da oleaginosa, apontou nesta quinta-feira um estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), realizado em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
"Esse resultado positivo foi impulsionado pela colheita de uma safra recorde no Brasil e pela intensificação do processamento do grão por parte da indústria, o que alavancou os agrosserviços (+9,4%) e os insumos (+2,7%)", afirmaram as instituições.
Na agroindústria, a alta foi 5,21%, impulsionada pelo biodiesel, com avanço de 8,5%.
O forte crescimento da cadeia produtiva, que representou 21,6% do PIB do agronegócio brasileiro em 2025 e 5,4% do PIB nacional no ano passado, ocorreu sobre uma base de safra mais fraca em 2024. Conforme dados da Abiove, a produção cresceu mais de 17 milhões de toneladas em 2025 em relação ao ano anterior, para 171,5 milhões de toneladas.
Já em 2026, com a colheita caminhando para o final no país, maior produtor e exportador global da oleaginosa, a safra deverá aumentar algo próximo de 8 milhões de toneladas, para pouco mais de 179 milhões de toneladas, conforme os números da Abiove.
"Em 2026 vamos crescer sobre um resultado recorde... é muito provável que vamos crescer a uma taxa um pouco mais amena, mas positiva", disse a pesquisadora do Cepea Nicole Rennó, em teleconferência de imprensa ao apresentar os números.
Ela afirmou que o índice de crescimento dependerá de alguns fatores, como o ritmo de processamento e o eventual aumento da mistura de biodiesel no diesel de 15% para 16% (B16) -- o óleo de soja respondeu em 2025 por 73% da matéria-prima do biocombustível, segundo dados da ANP.
Mas, preliminarmente, avaliou que o avanço do PIB do setor poderia aumentar entre 3,5% e 5,5% em 2026.
"A safra atual já vem com resultado positivo, a taxa final de crescimento do PIB vai depender muito do movimento pós-porteira, se aumentar o processamento...", disse.
Pelos últimos números divulgados, a Abiove projeta um processamento de 62,2 milhões de toneladas de soja no Brasil em 2026, também um recorde, que seria um aumento de cerca de 6% em relação ao ano passado, ou 3,5 milhões de toneladas a mais.
"Vai depender de como estará demanda internacional, o cenário é de muita incerteza... vai depender das sinalizações em relação ao B16", disse ela.
FATOR BIODIESEL
O diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, Daniel Furlan, disse ver todas as condições para que o governo adote uma mistura maior de biodiesel no diesel, o que poderia ajudar a impulsionar o PIB e a agregação de valor e a geração de empregos no setor, que empregou 2,39 milhões de trabalhadores em 2025, avanço de 5,52% em relação ao ano anterior.
Ele disse que a alta da mistura poderia ocorrer especialmente agora, no momento em que o combustível fóssil está mais caro do que o biodiesel pelos efeitos da alta do petróleo em função da guerra no Irã.
"Do ponto de vista econômico faz todo sentido ter o B16, é um biocombustível competitivo em relação ao diesel importado", disse ele. "Do ponto de vista da segurança energética mais ainda, estamos falando de redução de importação em contexto internacional extremamente complexo", acrescentou. O país ainda importa entre 20% e 25% de seu consumo de diesel.
Em relação à viabilidade do B16 -- independentemente do processo de testes para misturas maiores --, ele citou laudos técnicos da agência reguladora ANP que já mostram que o nível de contaminantes do biodiesel está muito abaixo do que exige a especificação.
"Tem um grau de pureza bastante elevado e suficiente para que se trabalhe com o B16. Pela regulamentação da ANP, se na análise do diesel encontrado estiver presente de 14,5% a 15,5% de biodiesel, o produto está dentro da especificação. No limite, estaríamos falando de um aumento de meio ponto percentual", defendeu.
A partir do momento em que o processamento cresce para atender a mistura maior de biodiesel, a oferta de farelo de soja também aumentaria, algo que pode favorecer a indústria local de carnes, que usa a matéria-prima para a produção de ração.
Mas também poderia permitir ao Brasil elevar as exportações de farelo, um produto que, destacou Furlan, tem uma diversificação maior de destinos em relação à soja exportada, com as vendas mais concentradas na China.
"Acredito que o Brasil vai continuar exportando grãos para a China, agora com relação ao farelo seria importante que a gente conseguisse ampliar as vendas internacionais, ele consegue atingir mais mercados", afirmou, citando o Oriente Médio, norte da África e o Sudeste Asiático.
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