Acordo China /EUA, preço do petróleo e clima na safra americana seguem no radar do mercado

Publicado em 19/05/2026 17:19
Fernando Pimentel - Fundador da Plataforma Agrometrika e Consultor do Grupo Aliare
Analista fala em próxima safra desafiadora no Brasil com cotações limitadas, custo elevado e risco de escassez de fertilizantes
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Acordo China /EUA , preço do petróleo e clima na safra americana seguem no radar do mercado

 

O mercado da soja voltou a operar com forte volatilidade nesta terça-feira (19), em um movimento de “ressaca” técnica após as altas expressivas registradas na sessão anterior em Chicago. Ainda assim, os contratos seguem sustentados acima dos US$ 12 por bushel, refletindo uma combinação de fatores geopolíticos e climáticos que continuam dando suporte às cotações internacionais.

O acordo comercial entre China e Estados Unidos segue no centro das atenções. O anúncio de um novo entendimento entre as duas potências, prevendo ampliação das compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos, trouxe de volta a percepção de aumento da demanda global e ajudou a criar um cenário .

Além da questão comercial, o mercado monitora atentamente o comportamento do petróleo e o clima nos Estados Unidos. A valorização recente do óleo de soja acompanhou o avanço das cotações do petróleo, enquanto as preocupações com o desenvolvimento da safra norte-americana seguem elevadas diante das incertezas climáticas associadas ao El Niño. Chuvas excessivas em algumas regiões produtoras e temperaturas abaixo da média começam a preocupar operadores e fundos, especialmente neste início do ciclo da safra americana.

Segundo Fernando Pimentel, fundador da plataforma Agrometrika e consultor do Grupo Aliare, mesmo após a realização de lucros desta terça-feira, o mercado segue tecnicamente sustentado acima dos US$ 12 por bushel. No Brasil, o câmbio voltou a exercer papel importante na formação dos preços, evitando nova pressão nos preços da soja brasileira e oferecendo suporte às cotações internas.

PREÇO DA SOJA X SAFRA NOVA

De acordo com Pimentel, o quadro se deteriorou significativamente desde dezembro, especialmente em relação aos fertilizantes. O mercado acompanha com apreensão os impactos da tensão geopolítica global sobre a cadeia de insumos agrícolas, e o risco de escassez já é considerado real por parte dos analistas. A crise logística e energética envolvendo importantes rotas globais de petróleo e fertilizantes elevou a preocupação sobre oferta e preços para a próxima temporada.

Nesse contexto, o produtor brasileiro começa a enfrentar um novo drama: o desafio de garantir margem em um ambiente de custos elevados, crédito mais caro e incertezas climáticas. O El Niño volta ao radar justamente em um período decisivo, que envolve o desenvolvimento final da safra americana e, mais adiante, o início do plantio da nova safra brasileira.

Assim, o mercado da soja permanece altamente sensível às decisões políticas, ao comportamento da demanda chinesa, ao clima nos Estados Unidos e às condições globais de oferta de insumos. O ambiente continua favorável à volatilidade e deve manter os agentes atentos aos próximos movimentos de Chicago e do câmbio.

 

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