Açúcar sobe em NY e Londres com atenção voltada para riscos climáticos e mercado global
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As cotações do açúcar registraram alta nesta quinta-feira (21) nas principais bolsas internacionais. Em Nova Iorque, os contratos avançaram pelo segundo pregão consecutivo, enquanto Londres voltou a operar em território positivo, em meio à repercussão das projeções globais de oferta e às preocupações climáticas envolvendo importantes produtores asiáticos.
Por volta das 11h30 (horário de Brasília), o contrato julho do açúcar bruto era negociado a 14,92 cents por libra-peso, alta de 19 pontos. O vencimento outubro avançava 16 pontos, negociado a 15,38 cents por libra-peso.
Na bolsa de Londres, o açúcar branco também registrava valorização. O contrato agosto subia 260 pontos, cotado a US$ 443,60 por tonelada.
Já o outubro avançava 320 pontos, negociado a US$ 444,30 por tonelada.
OIA projeta recorde em 2025/26 e déficit em 2026/27
O mercado segue repercutindo as projeções divulgadas pela Organização Internacional do Açúcar (OIA).
Na segunda-feira, as cotações chegaram às mínimas da semana após a entidade elevar sua estimativa de superávit global para a safra 2025/26. A OIA projeta produção recorde de 182 milhões de toneladas no próximo ciclo, volume 3,5% superior ao registrado na temporada anterior.
A estimativa de excedente global foi elevada para 2,2 milhões de toneladas, acima da previsão anterior de 1,22 milhão de toneladas,
revertendo o déficit de 3,46 milhões de toneladas observado em 2024/25.
Apesar disso, a organização também projeta um cenário mais apertado para a safra 2026/27. Segundo a entidade, a produção global deverá recuar 1,15%, para 180 milhões de toneladas, enquanto o mercado pode registrar déficit de aproximadamente 262 mil toneladas.
A OIA atribui parte desse risco ao possível fortalecimento do fenômeno El Niño, que pode comprometer a produção de açúcar na Índia e na Tailândia, dois dos principais produtores mundiais da commodity.
Czarnikow vê superávit moderado
Além da OIA, o mercado continua acompanhando as projeções divulgadas pela corretora Czarnikow.
A companhia estima um superávit global moderado de 1,4 milhão de toneladas para a safra 2026/27, sustentado principalmente pelo aumento da produção chinesa.
Ainda assim, a corretora alertou que esse excedente pode desaparecer caso ocorram perdas climáticas relevantes ou se o Brasil ampliar o direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol.
“Agora é bem sabido em todo o mercado de açúcar que o crescimento do consumo tem sido realmente fraco nos últimos dois anos, mas faz tempo que não temos um risco de produção na escala que temos para 2026/27”, afirmou Stephen Geldart, chefe de análise da Czarnikow.
A empresa também revisou para cima sua projeção de superávit para 2025/26, elevando a estimativa para 6,8 milhões de toneladas, sustentada pela maior produção na China e na União Europeia.
Segundo analistas, o crescimento mais lento da demanda global, influenciado pelas preocupações com saúde e pela inflação dos alimentos, continua limitando uma recuperação mais consistente dos preços internacionais do açúcar.
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