Com produção nacional estimada em 140 mi. de t, produtor de milho deve avaliar entre demanda interna via etanol e desafios da exportação para garantir rentabilidade

Publicado em 26/05/2026 11:12
Gilberto Leal - Head de Commodities da Granel corretora
Colheita ganha ritmo no Brasil enquanto mercado se ajusta a cenários distintos de comercialização

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A colheita do milho no Brasil, especialmente no Mato Grosso, caminha para um momento decisivo sob uma dinâmica de mercado marcada por incertezas geopolíticas e uma forte reconfiguração na formação de preços internos. Embora as operações estejam em estágio incipiente, com cerca de 1% da área colhida, os primeiros números de produtividade trazem otimismo ao setor, com médias estimadas entre 125 e 128 sacas por hectare no estado mato-grossense.

Segundo Gilberto Leal, da Granel Corretora, o ritmo atual da colheita é reflexo do momento, já que os produtores têm segurado o avanço das máquinas para aguardar a redução da umidade dos grãos, que ainda permanece elevada. A expectativa é que, com o clima mais seco previsto para os próximos dias, o volume colhido ganhe tração e velocidade já na próxima semana.

O cenário produtivo, contudo, é heterogêneo. Enquanto o Mato Grosso projeta uma safra abundante, com rendimentos superiores aos da temporada passada em diversas áreas, o estado de Goiás desponta como o mais impactado por adversidades climáticas, especialmente pela irregularidade das chuvas. Apesar de problemas pontuais registrados em outras regiões do Brasil, Leal avalia que esses gargalos são de menor magnitude e não devem alterar significativamente o balanço nacional de oferta, que projeta uma produção total entre 140 e 142 milhões de toneladas.

Para a comercialização, a grande mudança reside nas novas formas de escoamento, principalmente devido ao crescimento das indústrias de etanol de milho. No Mato Grosso, essa demanda tornou-se protagonista, alterando a paridade de preços e funcionando como um colchão de segurança para a rentabilidade do produtor. Diferente da soja, que tem operado com margens mais apertadas, o milho tem garantido ganhos expressivos, o que justifica o investimento contínuo em tecnologia e sementes de alto teto produtivo, mesmo em janelas de plantio mais arriscadas.

Por outro lado, a competitividade brasileira no mercado externo enfrenta ventos contrários. O câmbio próximo a R$ 5,00, somado à forte concorrência dos grãos americanos e argentinos e às instabilidades no Oriente Médio, tem dificultado o escoamento via exportação. A logística, inclusive, é um ponto de atenção crítica, já que o receio com tensões no Estreito de Ormuz impõe prêmios de risco aos fretes marítimos, encarecendo os custos operacionais.

Diante desse cenário, o alerta para o produtor rural é de cautela estratégica. Para Leal, o sucesso nesta temporada dependerá menos da eficiência produtiva dentro da porteira e mais da gestão "da porteira para fora". A recomendação é que os agricultores aproveitem os prêmios de carrego oferecidos pela indústria para os próximos meses para fixar margens, enquanto monitoram de perto o mercado de insumos, que aponta tendência de queda nos nitrogenados, mas permanece sob risco devido à volatilidade geopolítica global.

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Por:
Ericson Cunha
Fonte:
Notícias Agrícolas

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