Imunocastração avança na suinocultura brasileira e amplia uso em granjas tecnificadas
Publicado em 26/05/2026 16:54
Tecnologia utilizada em mais de 225 milhões de animais no Brasil é adotada como alternativa à castração cirúrgica na produção de suínos.
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O aumento das exigências relacionadas à qualidade da carne, bem-estar animal e eficiência produtiva tem ampliado o uso da imunocastração na suinocultura brasileira. A tecnologia vem sendo utilizada como alternativa à castração cirúrgica tradicional em suínos destinados ao abate.
Segundo Dalvan Veit, gerente técnico de suínos da Zoetis Brasil, o sistema funciona por meio da aplicação de uma vacina que estimula o sistema imunológico dos animais a produzir anticorpos contra o hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRF). O bloqueio hormonal reduz a produção de compostos associados ao odor de macho inteiro.
De acordo com o especialista, a tecnologia permite manter o crescimento natural dos animais durante parte da fase produtiva, sem necessidade de procedimento cirúrgico. “A imunocastração substitui a castração cirúrgica por uma solução não invasiva e contribui para a qualidade da carne e da carcaça”, afirmou.
Tecnologia busca atender demandas do mercado
A imunocastração vem sendo utilizada principalmente em suínos machos destinados ao abate. O sistema também pode ser aplicado em fêmeas para supressão temporária do estro, reduzindo comportamentos relacionados ao cio e facilitando o manejo nas granjas.
Segundo Dalvan Veit, mercados internacionais têm ampliado exigências relacionadas à rastreabilidade, eficiência produtiva e bem-estar animal. Nesse cenário, a tecnologia é vista pelo setor como uma alternativa para atender padrões sanitários e produtivos.
“A imunocastração contribui para melhorar a qualidade da carne, aumentar o percentual de carne magra e otimizar a conversão alimentar”, explicou.
O especialista também destacou que a eliminação da castração cirúrgica reduz dor, estresse e riscos associados ao manejo tradicional. Segundo ele, a adoção de sistemas menos invasivos acompanha mudanças observadas no mercado global de proteína animal.
Ganhos produtivos são apontados pelo setor
Entre os principais resultados observados nas granjas que utilizam a imunocastração estão melhora na conversão alimentar, aumento do ganho de peso diário e maior rendimento de carcaça.
Segundo informações apresentadas pela Zoetis, estudos conduzidos pela empresa indicaram aumento no consumo alimentar de fêmeas suínas após a segunda aplicação da vacina. De acordo com os dados, os animais imunocastrados chegaram ao abate entre 3 e 5 quilos mais pesados, mantendo a mesma conversão alimentar e idade de terminação.
Dalvan Veit afirmou que a tecnologia permite melhor aproveitamento dos nutrientes durante a fase final de produção. “Machos inteiros são fisiologicamente mais eficientes na transformação de alimento em carne de alta qualidade”, disse.
Segundo ele, o desempenho produtivo observado contribui para reduzir o custo por quilo produzido e aumentar a eficiência econômica das granjas.
Aplicação correta é considerada essencial
O protocolo de imunocastração prevê duas aplicações subcutâneas de 2 mL na base do pescoço, com intervalo mínimo de quatro semanas entre as doses.
Nos machos, a segunda aplicação deve ocorrer entre três e dez semanas antes do abate. Nas fêmeas, o reforço é recomendado entre quatro e dez semanas antes da terminação.
Dalvan Veit destacou que o treinamento das equipes e o cumprimento correto do protocolo são fatores importantes para garantir segurança e resultados consistentes. “Além do protocolo correto, é fundamental contar com boas práticas de vacinação e suporte técnico especializado”, afirmou.
Uso cresce nas granjas brasileiras
Segundo a Zoetis, a tecnologia já foi aplicada em mais de 225 milhões de animais abatidos no Brasil. Para o setor, o volume demonstra ampliação do uso da imunocastração em sistemas comerciais de produção.
Dalvan Veit afirmou que a imunocastração de machos já está consolidada na suinocultura brasileira. No caso das fêmeas, a adoção vem aumentando nas granjas tecnificadas.
“O produtor deve acompanhar avanços em tecnologias de manejo, capacitação das equipes e indicadores zootécnicos”, destacou.
A avaliação do setor é que a busca por produtividade, previsibilidade e bem-estar animal deve continuar influenciando a adoção de novas tecnologias dentro da cadeia suinícola brasileira.
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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Notícias Agrícolas
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