‘Super El Niño’ pode intensificar chuva no Sul e ampliar seca no Norte
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O El Niño já acende o alerta para impactos importantes no clima e na produção agrícola brasileira. A meteorologista Estael Sias falou com exclusividade ao Notícias Agrícolas sobre o fenômeno. Segundo a especialista, o aquecimento acelerado das águas do Oceano Pacífico Equatorial pode alterar significativamente o regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões do país nos próximos meses.
A expectativa é de que os efeitos do fenômeno comecem a ser sentidos de forma mais evidente entre julho e agosto, com possibilidade de evolução para um “super El Niño”.
“O El Niño, de uma forma bem resumida, é o aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e favorece uma mudança na rota da chuva e das áreas de ar seco”, afirmou.
Segundo a especialista, o Oceano Pacífico já registra aquecimento acelerado desde abril, impulsionado pela subida de águas mais quentes das camadas profundas para a superfície. Ela destaca que, considerando os parâmetros antigos de monitoramento climático, o cenário atual já poderia ser classificado como um El Niño de intensidade moderada.
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos ((NOAA) atualizou neste ano os índices de monitoramento do fenômeno, levando em consideração o contexto de aquecimento global e oceanos mais quentes. A mudança busca oferecer projeções mais precisas sobre intensidade e impactos do El Niño.
“A gente tem observado os oceanos mais quentes e ondas de calor marinhas mais frequentes. Essa atualização ajuda a trazer uma estimativa mais fiel da intensidade do fenômeno dentro desse novo contexto climático”, explicou Estael.
Sul do Brasil deve sentir primeiros impactos
As projeções indicam chuva acima da média na região Sul do Brasil, especialmente nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, principalmente entre a primavera e o verão. O aumento da umidade preocupa produtores rurais por causa do risco de enchentes, temporais, granizo e dificuldades no plantio da soja.
“Falar em enchente em ano de El Niño é uma consequência natural do fenômeno. O El Niño funciona como um pano de fundo, favorecendo maior frequência de tempestades e sucessivos episódios de chuva”, alertou a meteorologista.
Segundo ela, em anos clássicos de El Niño, o excesso de chuva pode reduzir as janelas de tempo seco necessárias para a semeadura e colheita, além de aumentar os prejuízos com eventos extremos.
Ondas de calor e seca preocupam outras regiões
Por outro lado, regiões do Centro-Oeste, Norte e Nordeste podem enfrentar períodos mais secos e ondas de calor persistentes, com impactos diretos na pecuária, no cultivo de grãos e no risco de incêndios florestais.
“Podemos ter ondas de calor mais persistentes e até recordes de temperatura em algumas regiões do país por conta do efeito do El Niño”, destacou.
Apesar dos riscos, o fenômeno também pode trazer efeitos positivos para parte do agronegócio. A previsão de chuva melhor distribuída no Sul pode favorecer culturas de verão, enquanto o mercado internacional do café pode registrar valorização devido à possibilidade de seca em países produtores como Vietnã e Indonésia.
Planejamento será fundamental para reduzir riscos
Estael reforça que as projeções ainda precisam ser atualizadas mensalmente, já que o comportamento do fenômeno pode mudar ao longo do ano. A orientação é para que produtores rurais acompanhem constantemente os boletins meteorológicos e utilizem as informações climáticas como ferramenta de planejamento e redução de riscos.
“A previsão precisa ser constantemente atualizada. O que a gente enxerga hoje são consequências que podem representar oportunidades para alguns setores e desafios para outros”, concluiu.
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