Reciclagem animal avança e reforça base sustentável da avicultura brasileira

Publicado em 27/05/2026 14:06
Aproveitamento de resíduos do abate, como penas e vísceras, amplia eficiência da cadeia avícola e impulsiona exportações.

O aproveitamento integral dos resíduos gerados pela cadeia de proteína animal voltou ao centro das discussões no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília, com impacto direto sobre a competitividade da avicultura brasileira. Em reunião realizada na última terça-feira (26), o ministro André de Paula recebeu representantes da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra) para tratar de avanços regulatórios, abertura de mercados e perspectivas para o setor, que transforma subprodutos do abate de aves em insumos estratégicos para a própria produção.

No caso da avicultura, a reciclagem animal é peça-chave ao dar destino a materiais como penas, vísceras e gorduras, convertidos em produtos como proteína hidrolisada de frango, farinhas e óleos utilizados na alimentação animal, fertilizantes e até na indústria de energia. O modelo contribui para reduzir custos, aumentar a eficiência produtiva e atender exigências ambientais cada vez mais rigorosas nos mercados internacionais.

Durante o encontro, o ministro destacou a importância de manter o diálogo com o setor e fortalecer parcerias que ampliem a competitividade da agroindústria brasileira. O Brasil recicla atualmente 100% dos resíduos oriundos de estabelecimentos de abate e do varejo, consolidando-se como um dos líderes globais na atividade. Hoje, o país ocupa a segunda posição mundial na coleta de resíduos animais, atrás apenas dos Estados Unidos.

Os números reforçam o peso econômico do segmento. A reciclagem animal responde por 15% das exportações do setor e, somente em 2025, já embarcou mais de 926,5 mil toneladas, dentro de uma produção superior a 6,17 milhões de toneladas. Parte desse volume tem origem direta da cadeia avícola, uma das mais organizadas do país e fortemente integrada ao sistema de reaproveitamento.

Representantes da Abra levaram ao governo demandas ligadas à regulação e à ampliação de mercados, com foco especialmente na Ásia, destino relevante para produtos derivados da avicultura. O secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, ressaltou que os avanços sanitários e a habilitação de empresas são determinantes para consolidar novas aberturas comerciais.

Negociações Internacionais

Na mesma linha, o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua, destacou o papel estratégico do segmento nas negociações internacionais e a atuação organizada da entidade na defesa de pautas técnicas. Já o presidente-executivo da Abra, Décio Coutinho, enfatizou o caráter sustentável da atividade, que transforma resíduos em produtos de valor agregado e reforça a economia circular no campo.

Fundada em 2006, a Abra reúne hoje 264 indústrias e 71 grupos associados, representando cerca de 92% das graxarias do país. O setor gera mais de 57 mil empregos diretos e indiretos e segue como elo essencial para a sustentabilidade da avicultura brasileira, ao garantir o aproveitamento integral da produção e ampliar a presença do país nos mercados internacionais.

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Fonte:
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