Vendas de etanol crescem em abril e participação do biocombustível avança no consumo nacional
As vendas de etanol ganharam força em abril no mercado brasileiro, impulsionadas pela maior competitividade do biocombustível frente à gasolina. Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) mostram que o volume total comercializado pelas unidades do Centro-Sul atingiu 2,74 bilhões de litros no mês, sendo 985,68 milhões de litros de etanol anidro e 1,76 bilhão de litros de hidratado.
No mercado doméstico, as vendas por dia útil cresceram 15,26% em relação a março, totalizando 1,75 bilhão de litros. Apenas na segunda quinzena de abril, a comercialização diária alcançou 91,2 milhões de litros, avanço de 26,1% na comparação com o início de março.
O movimento também foi refletido nos dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em abril, o consumo de etanol hidratado no Brasil somou 1,83 bilhão de litros, enquanto a participação do renovável no consumo total da frota leve subiu para 24,6%, ante 23,2% em março.
No estado de São Paulo, principal mercado consumidor do país, a participação do etanol hidratado chegou a 44%, o maior nível desde fevereiro de 2025.
Segundo o diretor de Inteligência Setorial, Regulação e Competitividade da UNICA, Luciano Rodrigues, o avanço do consumo reflete a competitividade do biocombustível nos postos.
“Esse movimento é natural diante da elevada competitividade do biocombustível nas bombas. A diferença relativa entre os preços do etanol hidratado e da gasolina nos postos está em 64,5% na média do País, chegando a 61,7% no Estado de São Paulo”, afirmou.
De acordo com levantamento da ANP referente à semana entre 17 e 23 de maio, o preço do etanol ficou abaixo da paridade técnica com a gasolina em 232 dos 387 municípios pesquisados. Em estados como São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, todos os municípios monitorados apresentaram vantagem econômica para o uso do etanol.
Moagem cresce mais de 120% na segunda quinzena de abril
A moagem de cana-de-açúcar também avançou de forma expressiva no Centro-Sul. Na segunda quinzena de abril, as unidades produtoras processaram 40,06 milhões de toneladas, alta de 123,12% em relação ao mesmo período da safra anterior.
No acumulado da safra 2026/27 até 1º de maio, a moagem atingiu 60,46 milhões de toneladas.
Durante o período, 38 unidades retomaram as operações, elevando para 238 o número de usinas em atividade na região Centro-Sul. Desse total, 219 processam cana-de-açúcar, dez produzem etanol de milho e nove operam como usinas flex.
A qualidade da matéria-prima também apresentou melhora. O ATR (Açúcar Total Recuperável) alcançou 116,89 kg por tonelada de cana na segunda metade de abril, alta de 6,34% frente ao mesmo período da safra passada.
## Produção de etanol avança e mix favorece biocombustível
A maior destinação de cana para a produção de etanol segue como uma das principais características do início da safra. Na segunda quinzena de abril, 59,66% da cana processada foi destinada à fabricação do biocombustível, acima dos 54,31% registrados no mesmo período da safra 2025/26.
No acumulado da safra, o mix destinado ao etanol atingiu 61,84%.
Como resultado, a produção de etanol no Centro-Sul alcançou 2,04 bilhões de litros na segunda metade de abril, sendo 1,41 bilhão de litros de hidratado e 628,64 milhões de litros de anidro.
Desde o início da safra, a fabricação totaliza 3,29 bilhões de litros, crescimento de 71,84% na comparação anual.
A produção de etanol de milho também segue em expansão. Na segunda quinzena de abril, foram produzidos 392,48 milhões de litros a partir do cereal, alta de 9,37% frente ao mesmo período da safra passada. No acumulado da safra, a produção chegou a 804,42 milhões de litros, avanço de 12,21%.
Mercado de CBios
No mercado de créditos de descarbonização, dados da B3 até 25 de maio mostram a emissão de 16,93 milhões de CBios em 2026 pelos produtores de biocombustíveis.
O volume disponível para negociação, considerando emissores, partes obrigadas e não obrigadas, soma 26,79 milhões de créditos.
Segundo a UNICA, somando os créditos já aposentados para cumprimento das metas do RenovaBio e os títulos disponíveis para comercialização, o setor já disponibilizou cerca de 66% do total necessário para o atendimento integral da meta de 2026.
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