Norte do Brasil terá chuva extrema em parte da região e calor de até 38°C em áreas sob influência do El Niño

Publicado em 29/05/2026 11:16
Previsão indica temporais no extremo norte amazônico, enquanto Tocantins, sul do Pará e Rondônia enfrentam avanço do tempo seco, calor intenso e redução das chuvas no segundo semestre

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O Norte do Brasil deve enfrentar um cenário climático dividido entre excesso de chuva e avanço do tempo seco nos próximos meses. Segundo, a meteorologista Estael Sias explicou que a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) segue favorecendo temporais no extremo norte da região, enquanto áreas mais ao sul já sentem os efeitos da redução das chuvas e do aumento do calor associados ao avanço do El Niño.

Os maiores volumes de chuva seguem concentrados no norte do Amazonas, Roraima, Amapá e norte do Pará. Em algumas localidades próximas a São Gabriel da Cachoeira, os acumulados podem alcançar até 150 mm, volume equivalente ao esperado para um mês inteiro.

“É realmente muita chuva no setor norte da região, enquanto Acre, Rondônia, Tocantins e sul do Pará já apresentam um padrão muito mais seco”, destacou.

A previsão indica que o cenário continuará contrastante nos próximos dias. Enquanto a chuva intensa persiste sobre o extremo norte da Amazônia, áreas produtoras do Tocantins e do Matopiba terão apenas pancadas isoladas, consideradas insuficientes para melhorar a umidade do solo.

Calor intenso ganha força em Tocantins e sul da Amazônia

Além da escassez de chuva, o calor deve aumentar de forma significativa nas áreas mais secas da região Norte. As temperaturas podem atingir entre 36°C e 38°C principalmente em Tocantins, sul do Amazonas, sul do Pará e Rondônia.

De acordo com Estael, o avanço do ar seco sobre o interior do país favorece a elevação das temperaturas justamente nas regiões onde a chuva perde força.

“A temperatura alta aumenta a evapotranspiração, eleva a necessidade de irrigação e traz mais estresse para as lavouras e também para a pecuária”, alertou.

A meteorologista destacou ainda que o impacto do calor excessivo atinge não apenas a agricultura, mas também os rebanhos, já que a redução das pastagens e o estresse térmico podem afetar diretamente a produtividade da pecuária.

El Niño preocupa produtores para o segundo semestre

A previsão climática para o segundo semestre de 2026 acende um sinal de alerta para toda a região Norte. Segundo Estael, o El Niño deve provocar uma redução mais significativa das chuvas, repetindo padrões observados em anos anteriores, quando rios atingiram níveis historicamente baixos e houve aumento expressivo das queimadas.

“O principal desafio será a combinação entre falta de chuva e calor persistente. Isso impacta reservatórios, geração de energia, lavouras, pecuária e toda a logística da região”, afirmou.

A especialista ressaltou que produtores rurais precisarão acompanhar atentamente as previsões climáticas e reforçar estratégias de manejo e irrigação para enfrentar os períodos mais secos previstos para os próximos meses.

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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