Indústria do Brasil volta a contrair em maio com queda de encomendas e produção, mostra PMI
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Por Camila Moreira
SÃO PAULO, 1 Jun (Reuters) - As condições da indústria brasileira voltaram a se deteriorar em maio, após breve melhora em abril, diante de queda nas novas encomendas e na produção em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio, mostrou pesquisa divulgada nesta segunda-feira.
O Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria brasileira, compilado pela S&P Global, caiu a 49,1 em maio, de 52,6 em abril, quando o setor havia atingido o nível mais alto em 14 meses. A marca de 50 separa crescimento de retração.
Os clientes mostraram-se em modo de contenção em maio, e a pesquisa apontou outra queda no total de novos pedidos e nova redução nas vendas internacionais da indústria.
"Maio foi um mês difícil para os fabricantes no Brasil, já que o impulso antecipado observado no setor em abril desapareceu. Houve uma forte queda nos novos pedidos de exportação, o que contribuiu para mais uma retração nas vendas totais e indicou que os clientes já não buscam mais aumentar seus estoques de segurança", disse Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence.
Houve uma queda substancial nos novos pedidos de exportação em maio, em um forte contraste com a sólida expansão de abril. Os participantes da pesquisa indicaram que as tarifas e a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no final de fevereiro, causaram a queda.
As entradas totais de novos negócios diminuíram pelo 14º mês consecutivo, com a queda acelerando em relação a abril diante de pressões competitivas, fraqueza da demanda, pressões de custos e a guerra no Oriente Médio.
Em resposta, os fabricantes reduziram os volumes de produção em maio depois de um forte crescimento observado em abril.
O mês foi ainda marcado por aumento substancial nos preços de insumos, que nos últimos cinco anos só ficou atrás da alta vista em abril. As empresas monitoradas relataram vários itens com alta de preços, o que associaram principalmente à guerra no Oriente Médio e à disparada dos preços de energia.
Os preços cobrados pelos produtos brasileiros aumentaram no segundo ritmo mais forte desde meados de 2021, superado apenas por abril. Nos casos em que os preços de venda subiram, as empresas citaram o repasse de custos.
Mas o emprego aumentou pelo quarto mês consecutivo em maio, embora em um ritmo leve e mais fraco do que no mês anterior. Dados subjacentes mostraram que a atividade de contratação foi contida pela falta de pressão sobre a capacidade operacional.
Os entrevistados também se mostraram otimistas quanto ao crescimento ao avaliar as perspectivas para a produção nos próximos 12 meses, com expectativas de melhores condições econômicas após as eleições presidenciais e esperança de que a guerra no Oriente Médio termine em breve.
(Edição de Isabel Versiani)
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