Brasil planeja anunciar primeira emissão de títulos em iuanes durante viagem de delegação à China este mês

Publicado em 05/06/2026 17:38 e atualizado em 05/06/2026 18:45

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Por Marcela Ayres

BRASÍLIA, 5 Jun (Reuters) - O governo brasileiro planeja anunciar sua primeira emissão soberana de títulos na China, denominados em iuanes, durante uma viagem de uma delegação de autoridades brasileiras a Xangai e Pequim no fim deste mês, disseram à Reuters duas fontes com conhecimento direto do assunto.

O plano de emissão dos chamados "panda bonds" vem após o país ter captado 5 bilhões de euros em abril, em sua primeira emissão de dívida em euros desde 2014, dando fôlego a uma estratégia apresentada no início do ano para ampliar sua presença nos mercados internacionais de dívida, inclusive com emissões em moedas além do dólar.

A agenda oficial nas duas cidades, liderada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, deve ocorrer entre 24 e 26 de junho.

Procurado, o Ministério da Fazenda não comentou o assunto.

A viagem, em preparação há meses, ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter elogiado o aprofundamento das relações com a China -- maior parceiro comercial do Brasil -- diante de reveses com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que propôs novas tarifas sobre produtos brasileiros e classificou grupos criminosos do país como organizações terroristas.

Antes da visita do ministro da Fazenda, autoridades brasileiras viajarão à China na próxima semana para uma reunião de uma subcomissão financeira, que reúne órgãos de ambos os países.

Durante a missão preparatória, o governo brasileiro destacará instrumentos financeiros de sua agenda de sustentabilidade, incluindo leilões de “blended finance” -- que liberam capital público para alavancar investimentos privados -- no programa Eco Invest, o fundo de proteção de florestas tropicais (Tropical Forest Forever Facility) e avanços na construção de um mercado doméstico de carbono.

Autoridades veem esses instrumentos como fundamentais para impulsionar o investimento direto chinês em setores estratégicos da economia brasileira, avaliou uma das fontes.

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Fonte:
Reuters

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