AgroPorto inaugura agenda conjunta entre portos e agro para fortalecer a competitividade do Brasil
O Movimento AgroPorto deu mais um passo na consolidação de uma agenda nacional voltada à infraestrutura e à competitividade do país. Durante evento realizado na sede da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), em Curitiba, foi assinada a Carta de Compromissos do Movimento AgroPorto, documento que estabelece dez diretrizes estratégicas para o fortalecimento da logística brasileira e para a construção de políticas públicas de longo prazo para o setor de infraestrutura.
A Carta foi assinada pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), pelo deputado federal Tião Medeiros (PP-PR), coordenador do Movimento AgroPorto pelas Frentes Parlamentares, e pela deputada federal Daniela Reinehr (PL-SC), em um gesto que simboliza a convergência entre produção e infraestrutura como pilares do desenvolvimento nacional.
O Movimento AgroPorto representa uma iniciativa inédita de aproximação e atuação conjunta entre a Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos (FPPA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), reunindo duas das mais relevantes frentes do Congresso Nacional em torno de uma agenda comum para enfrentar os gargalos logísticos que ainda limitam a competitividade brasileira.
A urgência dessa agenda é evidenciada pelos números da infraestrutura nacional. Atualmente, o Brasil investe cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, percentual inferior à metade do patamar mínimo de 4,5% do PIB apontado por especialistas como necessário para sustentar o crescimento econômico e eliminar os principais déficits logísticos do país.
Os gargalos de transporte também impõem custos bilionários à economia brasileira. Levantamento do Observatório do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) aponta que o país deverá acumular, apenas em 2026, um sobrecusto de R$ 3,3 bilhões decorrente da utilização do modal rodoviário em corredores onde a movimentação de cargas poderia ocorrer por ferrovias, considerando os projetos da Ferrogrão e da EF-118. Isso significa que o Brasil perde, em média, R$106 por segundo em ineficiências logísticas que comprometem a competitividade nacional.
Nesse contexto, a assinatura da Carta inaugura uma agenda conjunta de atuação parlamentar suprapartidária, destinada a endereçar temas estruturantes, como a melhoria dos acessos aos portos, a ampliação da capacidade de armazenagem, a integração multimodal, a segurança jurídica para os investimentos, o fortalecimento das agências reguladoras, a modernização do licenciamento ambiental e a expansão da infraestrutura portuária.
Mais do que um conjunto de diretrizes, o documento reafirma a necessidade de devolver aos projetos de infraestrutura brasileiros os contornos de uma verdadeira política de Estado, baseada em planejamento de médio e longo prazos, previsibilidade regulatória e capacidade de mobilização de investimentos públicos e privados.
“O Brasil já demonstrou sua capacidade de produzir e de competir nos mercados internacionais. O desafio agora é assegurar que a infraestrutura acompanhe esse crescimento e permita ao país transformar potencial em competitividade duradoura”, destacou o deputado Tião Medeiros durante o ato de assinatura.
Ao unir os setores de produção e logística em torno de prioridades comuns, o Movimento AgroPorto busca construir um ambiente institucional favorável à expansão da infraestrutura e ao fortalecimento do comércio exterior brasileiro, consolidando uma agenda permanente de diálogo entre Parlamento, setor produtivo, operadores logísticos e Poder Executivo.
A expectativa das Frentes Parlamentares é que os compromissos firmados se traduzam em iniciativas legislativas, aperfeiçoamentos regulatórios e ações coordenadas capazes de ampliar a eficiência logística nacional, reduzir o Custo Brasil e fortalecer a inserção competitiva do país nos mercados globais.
Agenda AgroPorto 2026: Infraestrutura como Projeto Nacional
O próximo ciclo do Movimento AgroPorto será dedicado à construção de uma Agenda Nacional de Infraestrutura e Competitividade, inspirada em experiências internacionais que transformaram a logística em uma política prioritária de Estado.
A iniciativa buscará reunir o Congresso Nacional, o setor produtivo, especialistas e o Poder Executivo em torno de uma visão de longo prazo para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira, baseada em planejamento, previsibilidade e segurança jurídica.
Até as eleições de 2026, o Movimento trabalhará em quatro frentes:
- Construção de uma Agenda Brasil para a Infraestrutura
Formulação de um conjunto de propostas estruturantes para elevar a infraestrutura à condição de prioridade nacional, estabelecendo metas de longo prazo para investimentos, integração logística e aumento da produtividade. - Ampliação da Coalizão Parlamentar
Incorporação de novas Frentes Parlamentares e setores produtivos à iniciativa, ampliando a legitimidade política e a capacidade de construção de consensos em torno de uma agenda nacional de desenvolvimento. - Diálogo com os Presidenciáveis
Apresentação da Agenda AgroPorto aos candidatos à Presidência da República, buscando o compromisso com medidas capazes de transformar a infraestrutura em uma política permanente de Estado, independentemente dos ciclos eleitorais. - Construção de Soluções Técnicas e Viáveis
Realização de reuniões coordenadas entre as Frentes Parlamentares, especialistas, entidades representativas e agentes públicos para estruturar propostas exequíveis, com capacidade de implementação e geração de resultados concretos para o país.
Sobre o Movimento AgroPorto
O Movimento AgroPorto é uma iniciativa conjunta da Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos (FPPA) e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), com apoio do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) e do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), inaugurado em abril de 2026. O movimento tem como objetivo promover a integração entre produção e infraestrutura, construindo uma agenda de Estado para o desenvolvimento logístico brasileiro e para o fortalecimento da competitividade nacional.
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