Norte: calor antecipado favorece retorno das chuvas, mas El Niño aumenta risco de irregularidade
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Na Região Norte, o padrão típico desta época do ano permanece: as chuvas seguem mais concentradas no extremo norte, especialmente entre o noroeste do Amazonas, Amapá e norte do Pará. No restante da região, o tempo continua mais seco, mas esse cenário deve começar a mudar gradualmente nos próximos meses.
Segundo a meteorologista Desirée Brandt, da Nottus, a principal diferença em relação ao ano passado está na influência do El Niño. Em 2025, a atuação da La Niña manteve as temperaturas mais baixas por mais tempo, reduzindo a energia disponível para a formação das instabilidades tropicais responsáveis pelas chuvas no interior do Brasil.
Neste ano, porém, o aquecimento ocorre mais cedo.
"Com o El Niño, o calor chega mais cedo. A atmosfera ganha mais energia e, junto com a umidade da Amazônia, favorece o desenvolvimento das instabilidades que produzem chuva."
A tendência é que as precipitações, hoje concentradas no extremo norte da Amazônia, avancem gradualmente para outras áreas da Região Norte ao longo dos próximos meses.
Tocantins seguirá com tempo seco
No Tocantins, principalmente na região de Porto Nacional, a previsão indica pouca ou nenhuma chuva nos próximos 60 dias. Por estar mais distante da faixa onde as primeiras instabilidades amazônicas costumam se formar, a região ainda deve enfrentar um período prolongado de tempo firme.
Já em Santarém (PA), a chuva tende a aumentar a partir de setembro, embora possa apresentar interrupções no fim do ano.
"As instabilidades vão se desenvolver mais cedo e a chuva deve ganhar força, mas especialmente no fim do ano podem ocorrer falhas por causa dos efeitos do El Niño."
Segundo a especialista, historicamente o fenômeno aumenta o risco de chuva abaixo da média não apenas no Nordeste, mas também em parte da Região Norte, principalmente no Pará e no Tocantins.
Roraima terá cenário mais favorável
Em Roraima, a previsão é diferente. A proximidade com a faixa de maior umidade da Amazônia favorece uma frequência maior de chuvas nas próximas semanas, reduzindo o risco de períodos prolongados de estiagem.
De acordo com Desirée, quanto mais próxima da Amazônia estiver a região produtora, maior será a garantia de precipitações regulares.
Calor intenso pode indicar falhas nas chuvas
As temperaturas permanecem elevadas em toda a Região Norte, mas os mapas meteorológicos mostram um contraste importante.
Enquanto Amazonas e Acre devem registrar calor menos intenso devido à maior frequência de chuvas, áreas do Pará, especialmente a região de Santarém, e a faixa de transição com o Matopiba tendem a apresentar temperaturas acima da média.
Segundo a meteorologista, esse excesso de calor pode ser um indicativo de irregularidade nas precipitações.
"Onde o calor aparece com mais intensidade, existe um sinal importante de que a chuva pode apresentar falhas. Já nas áreas mais próximas da Amazônia, a maior frequência de chuva impede um aquecimento tão intenso."
A especialista ressalta que os modelos climáticos ainda indicam ocorrência de chuva na Região Norte durante a próxima estação chuvosa, porém os volumes podem ficar abaixo da média histórica caso o El Niño continue se fortalecendo até o fim do ano. Esse cenário exige acompanhamento constante, especialmente nas áreas agrícolas do Pará e Tocantins.
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