Tarifaço dos EUA: decisão esperada nesta quarta-feira coloca agronegócio brasileiro em alerta

Publicado em 15/07/2026 11:18 e atualizado em 15/07/2026 12:09
Mercado acompanha expectativa sobre possível tarifa adicional de 25% para produtos brasileiros; café, mel, arroz, máquinas agrícolas e etanol estão entre os setores que defendem a manutenção do comércio bilateral

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O agronegócio brasileiro acompanha com atenção a expectativa de que o governo dos Estados Unidos anuncie nesta quarta-feira (15) a decisão sobre a proposta de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte de produtos nacionais. A medida faz parte da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que avalia supostas práticas comerciais adotadas pelo Brasil e seus impactos sobre empresas norte-americanas.

Nas últimas semanas, representantes de diversos segmentos participaram de audiências públicas em Washington para defender a manutenção do fluxo comercial entre os dois países. O argumento comum é que a imposição de novas tarifas não afetaria apenas os exportadores brasileiros, mas também a indústria americana, que depende de matérias-primas produzidas no Brasil, além de pressionar os preços pagos pelos consumidores dos Estados Unidos.

Embora a investigação tenha um escopo amplo, envolvendo temas como comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, o agronegócio ganhou protagonismo nas discussões devido à forte integração entre as cadeias produtivas dos dois países.

Entre os setores mais preocupados está o café solúvel. Diferentemente de outras categorias do café que constam entre as exceções inicialmente consideradas pelo governo americano, o produto ficou de fora da lista de isenções discutidas durante o processo.

Durante as audiências, o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, destacou que Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação de complementaridade no mercado cafeeiro. Segundo ele, os Estados Unidos consomem cerca de 25,5 milhões de sacas de café por ano, e o Brasil responde por mais de 30% desse abastecimento, consolidando-se como o principal fornecedor do país.

A avaliação do setor, uma nova tarifa elevaria custos para a indústria americana e para os consumidores, sem criar alternativas capazes de substituir o café brasileiro.

O setor de mel também acompanha a negociação com preocupação. Atualmente, o produto brasileiro já enfrenta uma tarifa de importação de 12,5% no mercado americano. Caso uma nova sobretaxa seja aplicada, a carga tributária poderá alcançar 37,5%, comprometendo a competitividade do produto brasileiro. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), o Brasil responde por aproximadamente 75% do mel orgânico importado pelos Estados Unidos.

A indústria de máquinas e equipamentos agrícolas também levou seus argumentos ao USTR. O setor ressalta que mais de 80% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos ocorrem entre unidades de uma mesma empresa, o que significa que uma tarifa adicional aumentaria os custos de produção das próprias companhias americanas instaladas no Brasil.

No caso do arroz, representantes da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) defenderam que o produto brasileiro atende nichos específicos do mercado norte-americano, especialmente consumidores latino-americanos, e que sua substituição pelo arroz produzido nos Estados Unidos não ocorre de forma automática.

Outro tema presente na investigação é o desmatamento. O USTR cita a expansão de atividades agrícolas sobre áreas desmatadas como uma das justificativas para avaliar práticas comerciais brasileiras. Em resposta, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou informações indicando redução do desmatamento na Amazônia Legal e defendeu que a agropecuária brasileira opera sob uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo.

A expectativa em torno da decisão ocorre em um cenário de crescente endurecimento da política comercial dos Estados Unidos durante o governo Donald Trump. O uso de tarifas como instrumento de negociação voltou ao centro da estratégia americana, ampliando as tensões comerciais com diversos parceiros internacionais, entre eles o Brasil.

Independentemente do resultado, a investigação evidencia que as discussões comerciais entre os dois países ultrapassam a questão tarifária e envolvem temas ligados à segurança alimentar, energia, sustentabilidade e competitividade das cadeias globais do agronegócio.
 

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Por:
Priscila Alves I instagram: @priscilaalvestv
Fonte:
Notícias Agrícolas

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