EUA sinalizam imposição de novas tarifas ao Brasil, mas podem ampliar lista de exceções
![]()
A recomendação final de um novo tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros foi levado ao presidente americano Donald Trump pelo chefe do USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca), Jamieson Greer, e já informado a interolocutores do governo Lula, segundo informou no final da manhã desta quarta-feira (15) o portal da CNN. A última reunião se deu ontem e as negociações foram dadas como encerradas.
Os representantes brasileiros, entre eles o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, já rebateram parte dos argumentos, afirmando que falta embasamento técnico à equipe norte-americanano subsídio às investigações da Seção 301. Além disso, fontes ouvidas pela CNN dão conta ainda de que Greer já afirmou que não haverá uma "lista dinâmica" da exceções às novas tarifas. Um aumento das exceções, todavia, também foi sinalizado pelo USTR.
"Houve dezenas de reuniões, seis ou sete só no último mês", disse um funcionário brasileiro que pediu para não ser identificado por não estar autorizado a discutir o assunto publicamente à agência internacional de notícias Reuters. "Mas eles querem o impossível." Ainda de acordo com a agência, "em carta enviada ao Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, afirmou que os EUA não confirmaram as acusações. Ele acrescentou que a investigação era "arbitrária" e parte de uma "pressão econômica generalizada imposta pelos EUA".
Leia mais:
+ Tarifaço dos EUA: decisão esperada nesta quarta-feira coloca agronegócio brasileiro em alerta
Caso as traifas entrem em vigor como previsto, o Brasil passará a ser o país mais tarifado pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China, de acordo com o Globa Trade Alert (GTA), que baseia-se em dados compilados pelo instituto St. Gallen Endowment, um centro suíço independente de estudos. Atualmente, o país ocupa a 13ª posição com tarifas médias de 11,73%. O novo tarifaço elevaria este número para 14,9%.
Com informações da Reuters, CNN e da BBC
Na Reuters: Brasil se prepara para novas tarifas dos EUA enquanto Washington amplia a pressão comercial, dizem fontes
![]()
O Brasil se prepara para a imposição de uma nova tarifa de 25% sobre milhares de suas importações pelos Estados Unidos, após meses de negociações intensas, porém em grande parte improdutivas, disseram à Reuters três pessoas familiarizadas com o assunto. A medida deve desencadear uma rodada mais ampla de tarifas americanas que afetarão diversos países.
O anúncio do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, esperado para esta quarta-feira, pode afetar mais de 4.000 produtos, do açúcar ao ferro-gusa, exportados do Brasil para o mercado americano, representando cerca de US$ 15 bilhões em comércio anual, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
"Houve dezenas de reuniões, seis ou sete só no último mês", disse um funcionário brasileiro que pediu para não ser identificado por não estar autorizado a discutir o assunto publicamente. "Mas eles querem o impossível."
As exigências dos EUA incluíam tarifas reduzidas exclusivas sobre algumas de suas exportações, concessões que a legislação brasileira não permite que o governo conceda unilateralmente a um único país, disseram autoridades.
O Brasil seria o primeiro país alvo da nova estratégia tarifária do governo Trump , que se baseia na Seção 301 da lei comercial dos EUA, uma disposição que autoriza investigações sobre supostas práticas comerciais desleais.
Essa abordagem ganhou destaque depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou sua política tarifária global em fevereiro.
Com quase 80 investigações comerciais abertas pelo Representante Comercial dos EUA, o Brasil parece prestes a se tornar o primeiro caso de teste para uma nova onda de tarifas que poderá ser aplicada a dezenas de países.
A investigação sobre o Brasil, iniciada em julho passado, citou diversas supostas práticas desleais, incluindo desmatamento ilegal e o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, Pix, que, segundo o governo dos EUA, prejudica as empresas de cartão de crédito.
O Brasil refutou veementemente todas as alegações. Em carta enviada ao Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, afirmou que os EUA não confirmaram as acusações. Ele acrescentou que a investigação era "arbitrária" e parte de uma "pressão econômica generalizada imposta pelos EUA".
Segundo a Confederação Nacional da Indústria Brasileira (CNI), os aumentos tarifários afetam produtos dos quais o Brasil é um dos principais fornecedores dos Estados Unidos, incluindo ferro-gusa, molduras de madeira, açúcar de cana, etanol e tabaco.
Esse aumento tarifário, disse o presidente do grupo, Ricardo Alban, em um comunicado, "prejudica empresas em ambos os países".
'Dando um tiro no próprio pé'
Espera-se que as tarifas propostas pela Seção 301 isentem diversas categorias de produtos brasileiros, como carne bovina, café, terras raras e peças de aeronaves, que representam a maior parte das exportações do país para os EUA.
Esses produtos já haviam sido isentos das tarifas anteriores de 40% impostas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros, tarifas essas motivadas politicamente pela prisão do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, um aliado de Trump que agora cumpre pena em prisão domiciliar por tentar derrubar a democracia após perder a eleição de 2022.
As relações entre Trump e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, um dos líderes de esquerda mais proeminentes da América Latina, melhoraram desde então , amenizando as tensões políticas.
Espera-se que as tarifas entrem em vigor menos de três meses antes da eleição presidencial no Brasil, na qual Lula deverá concorrer contra o filho de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro .
Segundo fontes do governo brasileiro, o país poderá retaliar assim que as tarifas americanas entrarem em vigor, dependendo do impacto delas.
O Brasil também foi incluído em uma investigação separada, nos termos da Seção 301, conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com previsão de conclusão em 24 de julho, sobre ligações com trabalho forçado nas cadeias de suprimentos de dezenas de países.
A investigação deverá resultar em uma tarifa adicional de 12,5%, elevando o ônus total para os produtos brasileiros para 37,5%.
As medidas correm o risco de tensionar ainda mais uma relação comercial que já começou a deteriorar-se.
Dados da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos mostram que a participação dos EUA no comércio total do Brasil caiu para 9,7% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2015, quando representava 12,1%, sendo o menor nível desde o início dos registros, em 1997.
Autoridades brasileiras afirmam que as tarifas americanas não levaram o país à ruína, mas forçaram as empresas a buscar outros parceiros, estreitando as relações com a China .
"Eles estão dando um tiro no próprio pé", disse um funcionário sobre o governo Trump. "Eles estão empurrando o Brasil e outros países cada vez mais para a Ásia."
0 comentário
Se confirmado tarifaço dos EUA, governo avaliará setores afetados e atuará com compromisso fiscal, diz Durigan
MP da dívida rural será editada nesta quarta, prevendo juros de até 12%, diz Durigan
EUA sinalizam imposição de novas tarifas ao Brasil, mas podem ampliar lista de exceções
Dólar tem variações modestas na abertura com pesquisa e tarifas comerciais no radar
Minério de ferro atinge máxima de várias semanas devido a preocupações com oferta
Trump tem esperança de que Putin possa pôr fim à guerra na Ucrânia em breve, apesar de ataques contínuos