Melhora das chuvas na Índia pressiona mercado e açúcar fecha em queda nas bolsas internacionais

Publicado em 15/07/2026 16:26 e atualizado em 15/07/2026 16:57
Avanço das monções reduz preocupações com a oferta global, enquanto liquidação de posições por fundos amplia as perdas em Londres.

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Depois de três semanas de forte valorização, os preços do açúcar voltaram a recuar nas principais bolsas internacionais nesta quarta-feira (15). A melhora das chuvas durante a temporada de monções na Índia reduziu parte das preocupações com a oferta global da commodity, enquanto a venda de contratos por fundos de investimento ampliou as perdas na Bolsa de Londres.

Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato outubro do açúcar bruto encerrou o pregão cotado a 14,85 cents por libra-peso, com queda de 3 pontos.

Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco fechou a US$ 449,20 por tonelada, recuo de 142 pontos, atingindo o menor patamar em cerca de duas semanas e meia.

O principal fator de pressão continua sendo a evolução das condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados divulgados pelo Departamento Meteorológico do país mostram que o déficit acumulado de chuvas das monções caiu para 23% abaixo da média até 15 de julho, uma melhora significativa em relação aos 42% registrados no fim de junho.

Embora o volume de precipitações ainda permaneça abaixo da média histórica, o avanço das chuvas diminuiu parte dos temores de perdas mais severas na produção de cana-de-açúcar, reduzindo o prêmio de risco que vinha sustentando as cotações nas últimas semanas.

Outro fator que ampliou as perdas foi o comportamento dos fundos de investimento na Bolsa de Londres. Às vésperas do último dia de negociação do contrato agosto do açúcar branco da ICE, investidores promoveram uma forte liquidação de posições, pressionando ainda mais os preços.

Os dados mais recentes do relatório Commitment of Traders (COT) mostram que os fundos mantinham, na semana encerrada em 7 de julho, uma posição líquida comprada recorde de 58.131 contratos em açúcar branco na ICE. Segundo analistas, esse elevado volume aumenta a volatilidade do mercado e favorece movimentos mais intensos de realização de lucros.

Apesar da correção recente, os fundamentos de médio prazo continuam no radar dos investidores. Nas últimas três semanas, as cotações acumularam forte valorização diante das preocupações com a oferta global. Na semana passada, o açúcar em Nova Iorque atingiu o maior patamar em cerca de dois meses, enquanto os contratos em Londres alcançaram as máximas de aproximadamente dez meses.

Além da Índia, o mercado continua acompanhando os riscos climáticos associados ao El Niño. O fenômeno pode reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Índia e Tailândia, além de provocar impactos sobre a safra brasileira. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos avalia que o episódio de El Niño em formação tem potencial para ser um dos mais intensos das últimas décadas, enquanto o serviço meteorológico da Índia reduziu recentemente sua estimativa para as chuvas da temporada de monções, reforçando as incertezas sobre a produção mundial de açúcar.
 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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