Café abre em queda nas bolsas, mas mercado segue sustentado por oferta restrita e ritmo lento da safra brasileira

Publicado em 16/07/2026 07:18 e atualizado em 16/07/2026 07:55
Arábica recua 1,18% em Nova York e robusta perde 1,64% em Londres no início da manhã, enquanto exportações menores, estoques reduzidos e avanço lento da colheita seguem no radar do mercado

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As cotações do café iniciam esta quinta-feira (16) em queda nas bolsas internacionais, após mais uma sequência de forte volatilidade nos últimos pregões. No início da manhã, o contrato setembro/26 do arábica recuava 390 pontos, cotado a 318,85 cents/lbp, enquanto o vencimento dezembro/26 perdia 760 pontos, negociado a 302,35 cents/lbp, na ICE Futures US. Em Londres, o robusta para setembro/26 caía 60 pontos, para US$ 3.851 por tonelada, e o contrato novembro/26 recuava 58 pontos, cotado a US$ 3.806 por tonelada.

Apesar do movimento negativo nesta abertura, o mercado continua sustentado por fundamentos importantes. As preocupações com o ritmo da colheita brasileira, a disponibilidade restrita de café, os baixos estoques certificados e as incertezas climáticas para os próximos meses seguem limitando pressões mais intensas sobre as cotações.

Exportações brasileiras encerram ano-safra em queda

Dados divulgados pelo Cecafé mostram que o Brasil exportou 3,06 milhões de sacas em junho, encerrando o ano-safra 2025/26 com 38,462 milhões de sacas embarcadas, volume 15,7% inferior ao registrado no ciclo anterior.

Os embarques de café arábica totalizaram 29,499 milhões de sacas, retração de 15,31% frente ao ano-safra 2024/25. No acumulado do primeiro semestre de 2026, o país exportou 17,831 milhões de sacas, queda de 8,3% na comparação anual. O Porto de Santos respondeu por 75% das exportações brasileiras no ciclo, com 28,859 milhões de sacas.

Oferta segue limitada no mercado físico

Segundo análise do Escritório Carvalhaes, o mercado físico brasileiro continua registrando forte interesse comprador para todos os padrões de café, mas a oferta permanece restrita.

Na avaliação da consultoria, há pouco café remanescente da safra 2025/26 nas mãos dos produtores, enquanto a entrada da nova safra ocorre lentamente devido aos desafios enfrentados durante a colheita, como problemas climáticos, queda de frutos, custos elevados e dificuldades para contratação de mão de obra. Diante desse cenário, muitos produtores seguem comercializando apenas o necessário para atender compromissos imediatos.

Estoques continuam em níveis historicamente baixos

Outro fator acompanhado pelos investidores é o nível dos estoques certificados de arábica na ICE. Os estoques recuaram para 334.289 sacas, redução de 5.363 sacas na última atualização. Em relação ao mesmo período do ano passado, quando somavam 831.612 sacas, a queda ultrapassa 497 mil sacas, reforçando a percepção de oferta apertada no mercado internacional.

Clima favorece colheita, sem risco de geadas

No campo, a previsão da Climatempo indica manutenção do tempo seco e frio sobre as principais regiões produtoras durante a segunda metade da semana, condição favorável aos trabalhos de colheita e secagem dos grãos.

As temperaturas seguem baixas nas madrugadas, especialmente nas áreas mais altas do Sul de Minas Gerais, onde os termômetros podem registrar entre 6°C e 7°C, mas, até o momento, não há previsão de frio extremo nem risco de geadas capazes de provocar danos aos cafezais. Já as chuvas devem permanecer concentradas entre o Espírito Santo e o sul da Bahia, enquanto uma nova frente fria é esperada apenas na última semana de julho.

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Por:
Priscila Alves I instagram: @priscilaalvestv
Fonte:
Notícias Agrícolas

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