Trigo abre em alta em Chicago, mas maior oferta do Mar Negro limita reação do mercado
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Os contratos futuros do trigo iniciaram a sessão desta sexta-feira (17) em leve alta na Bolsa de Chicago (CBOT), sustentados pelos fundamentos apresentados no último relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Apesar da menor safra norte-americana e da redução dos estoques globais, o mercado continua encontrando resistência para avanços mais expressivos diante da maior disponibilidade exportável dos países do Mar Negro.
O início da manhã de hoje o contrato setembro/26 era negociado a US$ 6,79 por bushel, com alta de 4,50 pontos. O dezembro/26 avançava 4,50 pontos, cotado a US$ 6,95 por bushel, enquanto o março/27 subia 4,50 pontos, para US$ 7,08 por bushel.
Segundo análise de Élcio Bento, especialista em trigo da Safras & Mercado, o relatório de julho do USDA trouxe poucos ajustes em relação ao levantamento anterior, reforçando um cenário de relativa estabilidade para o mercado mundial. A redução dos estoques finais globais, de 275 milhões para 273 milhões de toneladas, e a menor safra norte-americana oferecem sustentação às cotações, mas esse movimento continua sendo amenizado pela maior competitividade dos exportadores do Mar Negro.
O principal destaque do relatório permanece sendo os Estados Unidos. A produção foi revisada para 41,8 milhões de toneladas, o menor volume desde a safra 1970/71, enquanto os estoques finais foram reduzidos para 19,7 milhões de toneladas, cerca de 22% inferiores aos da temporada anterior. Ainda assim, o USDA manteve sua estimativa de preço médio ao produtor norte-americano em US$ 6,00 por bushel, indicando que a menor oferta dos EUA continua sendo compensada pela disponibilidade de trigo em outros grandes países exportadores.
Do lado da oferta internacional, o USDA elevou as projeções de produção e exportação da Rússia e da Ucrânia, refletindo as boas condições climáticas observadas durante o desenvolvimento das lavouras. A Rússia teve sua estimativa de exportações elevada para 47,5 milhões de toneladas, enquanto a Ucrânia passou para 14,5 milhões de toneladas, ampliando a competitividade da região no comércio mundial.
Para o Brasil, outro ponto importante destacado por Élcio Bento foi o aumento da projeção das exportações argentinas. Como principal fornecedora de trigo ao mercado brasileiro, a maior disponibilidade do cereal na Argentina tende a preservar a competitividade das importações e limitar pressões de alta sobre os preços internos, especialmente nas regiões mais dependentes do produto importado.
Assim, o mercado inicia a sessão equilibrando fatores de sustentação, como a menor safra dos Estados Unidos e a redução dos estoques globais, com a maior oferta prevista para Rússia, Ucrânia e Argentina, que continua limitando um movimento mais consistente de valorização das cotações internacionais.
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