Exportação de carne bovina do Brasil caminha para primeira queda mensal em 18 meses

Publicado em 20/07/2026 17:12 e atualizado em 20/07/2026 17:46

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Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 20 Jul (Reuters) - As exportações brasileiras de carne bovina in natura caminham para registrar em julho a primeira queda mensal na comparação anual desde janeiro de 2025, após um primeiro semestre recorde impulsionado pela forte demanda da China, de acordo com dados do governo e avaliações do setor.

A possível queda mensal na exportação do Brasil, o maior produtor e exportador global, tem relação com restrições tarifárias impostas pela própria China, maior importador do produto brasileiro.

No primeiro semestre, frigoríficos correram para completar uma cota chinesa de cerca de 1,1 milhão de toneladas, colaborando para o país registrar um recorde. Na segunda parte do ano, no entanto, os negócios extracota ficam praticamente inviabilizados, já que para esses há uma tarifa de 55%.

Números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgados nesta segunda-feira e compilados até a terceira semana de julho, mostram embarques médios diários de 10.799,2 toneladas de carne bovina no acumulado do mês, abaixo das 12.038,2 toneladas por dia registradas em julho de 2025, uma redução de 10,3%.

Mantido o ritmo atual nos 23 dias úteis previstos para o mês, as exportações de julho poderiam alcançar cerca de 248 mil toneladas, contra 276,9 mil toneladas no mesmo mês do ano passado.

Diante da barreira para exportar à China, as empresas de carne bovina do Brasil têm reduzido a produção e dado férias coletivas aos funcionários, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). A entidade manteve uma estimativa de redução de 10% nos volumes das exportações do Brasil em 2026 ante 2025, principalmente pela questão chinesa.

RECORDE NO SEMESTRE

A perda de ritmo ocorre após o Brasil encerrar o primeiro semestre com recordes de receita e volume exportado, disse a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), nesta segunda-feira.

As exportações de carnes e subprodutos bovinos somaram US$9,929 bilhões entre janeiro e junho, alta de 33,4% ante o mesmo período de 2025, enquanto os embarques atingiram 1,811 milhão de toneladas, avanço de 7,3%.

A Abrafrigo reiterou que as vendas de carne bovina para o país asiático cresceram 50,3% em valor no primeiro semestre, para US$4,818 bilhões, enquanto o volume embarcado avançou 22,6%, para 774,7 mil toneladas.

A China respondeu por 48,5% da receita obtida com as exportações brasileiras de carnes e subprodutos bovinos no período.

Mas a própria entidade avalia que o forte crescimento das vendas para o mercado chinês dificilmente será mantido no segundo semestre.

A Abrafrigo afirma que a cota de importação chinesa destinada ao Brasil para 2026, estimada em 1,106 milhão de toneladas, foi praticamente preenchida com os embarques realizados até junho. Com isso, os embarques destinados à China tendem a desacelerar a partir de julho, até que uma nova cota seja disponibilizada.

A associação estima que a redução das compras chinesas poderá retirar cerca de US$4 bilhões das exportações brasileiras ao país asiático em 2026, embora parte desse impacto possa ser compensada por embarques realizados no fim do ano e desembarcados nos portos chineses apenas em 2027.

Além da questão chinesa, a Abrafrigo apontou preocupações envolvendo a União Europeia, diante da ameaça de suspensão de exportações a partir de setembro.

A entidade destacou incertezas relacionadas às exigências sanitárias europeias sobre comprovação de produção livre do uso de antimicrobianos, o que pode limitar as compras do bloco nos próximos meses caso não haja um acordo sobre os mecanismos de certificação.

Por outro lado, a entidade observou que mercados como Estados Unidos, Chile, Rússia, Hong Kong e Arábia Saudita ampliaram as compras de carne bovina brasileira no primeiro semestre, ajudando a reduzir a dependência da China.

(Por Roberto SamoraEdição de Pedro Fonseca)

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Fonte:
Reuters

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