Trigo recua em Chicago, mas mercado segue atento à menor safra brasileira e aos riscos no Mar Negro
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Os contratos futuros do trigo iniciaram a terça-feira (21) em queda na Bolsa de Chicago, em um movimento de realização de lucros após as recentes altas. Segundo análise do consultor de mercado Vlamir Brandalizze, o recuo observado no início dos negócios é um ajuste técnico e não modifica o cenário que vem sustentando os preços internacionais. O mercado continua acompanhando a expectativa de uma safra menor no Brasil, o desenvolvimento da produção argentina e os riscos envolvendo o escoamento do trigo da região do Mar Negro.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), o contrato setembro/26 era cotado a US$ 6,69/bushel, com queda de 5 pontos, recuo de 0,74%. O dezembro/26 era negociado a US$ 6,86/bushel, com baixa de 4,6 pontos, desvalorização de 0,67%. Já o março/27 valia US$ 7,02/bushel, com perda de 4,4 pontos, queda de 0,63%.
No Brasil, o principal fator de atenção continua sendo a perspectiva de uma produção menor em 2026. A redução da área cultivada, somada aos problemas climáticos registrados em parte das regiões produtoras durante o desenvolvimento das lavouras, deve resultar em uma colheita inferior à do ano passado. Com uma oferta mais enxuta, o país deverá ampliar sua dependência das importações para atender o consumo interno, mantendo a Argentina como principal fornecedora de trigo ao mercado brasileiro.
A safra argentina também segue no radar dos investidores. O plantio avança dentro do esperado e, até o momento, as condições climáticas são consideradas favoráveis na maior parte das áreas produtoras. Uma boa produção no país vizinho poderá aliviar parte da menor oferta brasileira no segundo semestre. Por outro lado, qualquer mudança no clima durante as próximas semanas pode alterar esse cenário e aumentar a pressão sobre os preços no Mercosul.
No mercado internacional, as atenções permanecem voltadas para o Mar Negro. A Rússia continua projetando uma das maiores colheitas de trigo do mundo e deve manter a liderança nas exportações globais. Entretanto, operadores monitoram possíveis impactos da guerra sobre a logística de embarques, principalmente diante dos recentes ataques à infraestrutura portuária e das dificuldades de transporte em algumas regiões produtoras.
A Ucrânia, por sua vez, mantém expectativa de uma produção relativamente estável para a safra 2026/27, mas segue enfrentando desafios para escoar sua produção. Os corredores de exportação continuam operando sob elevado risco, fator que mantém o mercado internacional sensível a qualquer interrupção no fluxo de embarques pelo Mar Negro.
Embora Chicago registre perdas nesta abertura, o mercado segue acompanhando um cenário de oferta mais restrita no Brasil e de incertezas no comércio internacional. A combinação entre menor produção brasileira, necessidade maior de importações e os riscos geopolíticos na região do Mar Negro continua sendo o principal direcionador das cotações do trigo nas próximas semanas.
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