Açúcar fecha em queda com avanço das chuvas na Índia, mas petróleo limita perdas

Publicado em 22/07/2026 16:28 e atualizado em 22/07/2026 17:14
Melhora das monções reduz preocupações com a oferta global, enquanto alta do petróleo segue dando suporte ao mercado ao favorecer a produção de etanol.

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Os preços do açúcar encerraram o pregão desta quarta-feira (22) em queda nas principais bolsas internacionais. O avanço das chuvas de monção na Índia, segundo maior produtor mundial da commodity, reduziu parte das preocupações com a oferta global e pressionou as cotações. As perdas, no entanto, foram limitadas pela valorização do petróleo, que reforça a competitividade do etanol e pode reduzir a disponibilidade de açúcar no mercado internacional.

Na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro fechou cotado a 14,74 cents por libra-peso, com queda de 14 pontos. Em Londres (ICE Europe), o contrato outubro do açúcar branco encerrou a US$ 464,70 por tonelada, recuo de 460 pontos.

Chuvas na Índia pressionam mercado

O principal fator de pressão sobre as cotações continua sendo a melhora das condições climáticas na Índia. De acordo com o Departamento Meteorológico do país, o déficit acumulado das chuvas de monção caiu para 19% abaixo da média histórica até 22 de julho, uma recuperação significativa em relação aos 42% registrados no fim de junho.

O avanço das precipitações reduz, ao menos por enquanto, os temores de perdas na produção de cana-de-açúcar do segundo maior produtor mundial, diminuindo a preocupação do mercado com uma possível restrição na oferta global.

Apesar da melhora recente, o Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que a temporada de monções poderá ser a mais fraca dos últimos 11 anos. Como o período entre junho e setembro é decisivo para o desenvolvimento da cultura, o comportamento do clima continuará sendo acompanhado de perto pelos investidores.

Petróleo reduz pressão sobre as cotações

As perdas foram parcialmente compensadas pela valorização do petróleo. O contrato do petróleo WTI avançou mais de 2% nesta quarta-feira, alcançando o maior nível em cerca de seis semanas.

Com o petróleo mais caro, o etanol ganha competitividade, aumentando a expectativa de que usinas direcionem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível em vez de açúcar. Esse movimento tende a reduzir a oferta da commodity no mercado internacional e limita quedas mais intensas nas bolsas.

Outro fator monitorado pelos investidores é o elevado volume de posições compradas dos fundos de investimento na ICE de Londres.

Segundo o relatório Commitment of Traders (COT), os fundos ampliaram em 716 contratos suas posições líquidas compradas em açúcar branco na semana encerrada em 14 de julho, atingindo um recorde de 58.847 contratos. Esse cenário aumenta a possibilidade de oscilações mais acentuadas caso parte dos investidores opte por realizar lucros.

Mesmo com as perdas recentes, o mercado ainda acumula forte valorização no último mês. No início de julho, os contratos em Nova Iorque atingiram os maiores níveis em cerca de dois meses, enquanto Londres renovou máximas de aproximadamente dez meses, impulsionados pelas preocupações com a safra indiana.

Mercado físico segue sem direção definida

No mercado interno, os preços do açúcar cristal branco continuam oscilando em São Paulo e ainda não apresentam uma tendência consolidada.

Segundo pesquisadores do Cepea, a volatilidade reflete as constantes mudanças nos fatores que influenciam tanto o mercado doméstico quanto o internacional, dificultando a definição de uma direção para as cotações.

O centro de pesquisas destaca que a oferta nacional permanece confortável. A produção brasileira segue suficiente para atender ao consumo interno e manter excedentes destinados às exportações, favorecida pelas boas condições climáticas registradas até o momento para o desenvolvimento da safra. Esse cenário continua limitando movimentos mais expressivos de alta no mercado físico.

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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