Empresas da zona do euro enfrentam dificuldades para elevar preços ao consumidor após choque do Irã, mostra pesquisa do BCE
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FRANKFURT, 24 Jul (Reuters) - As empresas da zona do euro estão enfrentando dificuldades para aumentar os preços para os consumidores, que já sofrem com o aumento dos custos dos combustíveis, e a concorrência acirrada da China agrava as condições adversas do mercado, segundo uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira pelo Banco Central Europeu.
O BCE manteve as taxas de juros na véspera, afirmando que vê poucos ou nenhum sinal de que os custos mais altos dos combustíveis estejam se refletindo nos preços ao consumidor, nos salários e nas expectativas de longo prazo. O banco deixou em aberto a possibilidade de um novo aumento dos juros em setembro.
Sua pesquisa trimestral de informações com 76 grandes empresas que operam na zona do euro fora do setor financeiro confirmou que esses efeitos de segunda ordem ainda estavam praticamente ausentes.
As conversas ocorreram principalmente entre 22 de junho e 1º de julho, logo após a assinatura do memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã para pôr fim ao conflito, que posteriormente fracassou no início de julho em meio à retomada das hostilidades.
As empresas haviam aumentado os preços menos do que o esperado nos três meses até junho e esperavam uma ligeira moderação no trimestre atual, segundo a pesquisa.
Cerca de 40% das empresas consultadas afirmaram que os preços em seu setor haviam aumentado, especialmente em bens intermediários e transporte, que são diretamente afetados pelo preço do petróleo e seus derivados. Os preços dos produtos petroquímicos, por exemplo, haviam subido entre 20% e 30%, informou o BCE.
Mas, para as empresas mais próximas do consumidor, houve “pouco ajuste” até o momento, já que as famílias continuavam “muito sensíveis aos preços”. O preço de alguns produtos eletrônicos de consumo estava até mesmo caindo devido às importações mais baratas da Ásia, acrescentou o BCE.
Isso significava que cerca de 40% das empresas estavam vendo suas margens reduzidas, já que os custos mais altos não eram compensados por um aumento proporcional nos preços de varejo.
“Os varejistas do setor de alimentos afirmaram que os preços mais altos dos combustíveis no segundo trimestre deixaram menos dinheiro para gastos com outros itens e reforçaram a tendência dos consumidores de migrar de produtos de marca para marcas próprias”, afirmou o BCE.
“As condições gerais do mercado estavam difíceis, ... com os fabricantes chineses oferecendo cada vez mais produtos inovadores a preços baixos.”
Por outro lado, as empresas afirmaram que um boom na inteligência artificial estava impulsionando os investimentos e os gastos das empresas, embora as preocupações com a competitividade pesassem sobre os gastos tradicionais de capital.
“Isso estava levando as empresas manufatureiras europeias a concentrar cada vez mais seus investimentos na Ásia ou na Europa Oriental, em vez de na zona do euro”, afirmou o BCE.
(Reportagem de Francesco Canepa)
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