Trigo fecha em queda em Chicago com realização de lucros e mercado atento ao Mar Negro
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Os contratos futuros do trigo encerraram o pregão desta sexta-feira (24) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), devolvendo parte da forte valorização acumulada nos últimos dias. O movimento foi influenciado principalmente pela realização de lucros dos investidores após o rali provocado pelas tensões no Mar Negro, enquanto o mercado voltou a avaliar os fundamentos globais de oferta e demanda.
O contrato setembro/26 fechou cotado a US$ 6,78 por bushel, com queda de 18,25 pontos. O dezembro/26 encerrou a US$ 6,95 por bushel, recuando 18,25 pontos, enquanto o março/27 terminou o dia a US$ 7,11 por bushel, com perda de 18 pontos.
Apesar da baixa desta sexta-feira, os riscos geopolíticos seguem no radar. Nos últimos dias, ataques à infraestrutura portuária ucraniana elevaram a volatilidade das cotações, mas o mercado passou a entender que, até o momento, não houve uma interrupção estrutural do corredor marítimo utilizado para as exportações agrícolas da Ucrânia. Autoridades ucranianas também desmentiram rumores sobre mudanças nas regras de operação desse corredor, reforçando que os embarques continuam sendo realizados, ainda que sob um ambiente de risco elevado.
Além disso, especialistas em logística do Mar Negro destacam que os ataques aumentaram os custos operacionais, pressionaram os seguros marítimos e reduziram temporariamente o interesse de algumas empresas de navegação. Ainda assim, o fluxo de exportações permanece ativo, fator que contribuiu para diminuir parte do prêmio de risco incorporado aos preços durante a semana.
Outro fator que limitou uma recuperação mais consistente das cotações foi o cenário de ampla oferta entre importantes exportadores. Embora a consultoria SovEcon tenha reduzido recentemente sua estimativa para a safra russa, a Rússia continua como o maior exportador mundial de trigo e deve manter forte presença no mercado internacional. Ao mesmo tempo, a expectativa de uma safra maior na Argentina e a continuidade das exportações da Ucrânia reforçam a concorrência global.
Para o mercado brasileiro, esse cenário merece atenção. Argentina e Ucrânia seguem entre os principais fornecedores de trigo ao Brasil, enquanto a Rússia exerce influência decisiva sobre a formação dos preços internacionais. Assim, qualquer alteração na produção, na logística ou no ritmo das exportações desses países tende a repercutir diretamente nos custos de importação e na disponibilidade do cereal para a indústria nacional.
No mercado interno, as perspectivas também seguem sendo acompanhadas de perto. Apesar do desenvolvimento das lavouras ocorrer dentro do esperado em grande parte das regiões produtoras, analistas do setor continuam projetando uma safra brasileira menor em 2026, reflexo da redução da área cultivada e dos desafios climáticos enfrentados durante o ciclo da cultura. Esse cenário mantém o Brasil dependente do desempenho dos países exportadores para equilibrar seu abastecimento.
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