Soja reage em Chicago após tombo de mais de 3% e portos brasileiros mantêm preços acima de R$ 150/saca nesta 3ª feira

Publicado em 28/07/2026 16:58 e atualizado em 28/07/2026 17:43
Na CBOT, ganhos foram motivados pela alta do farelo e pelo clima sob alerta nos Estados Unidos

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Depois de encerrar a segunda-feira (27) com perdas superiores a 3%, os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) voltaram a subir nesta terça-feira (28), em um movimento de recuperação técnica impulsionado pela cobertura de posições vendidas e pela estabilização dos mercados externos, concluindo o dia com leves altas entre as principais posições.

Os ganhos entre os principais vencimentos foram de 2,75 a 6 pontos, levando o agosto a US$ 12,11, o novembro a US$ 12,19 e o janeiro/27 a US$ 12,33 por bushel. O mercado do grão se apoiou na alta do farelo, já que ambos inverteram o sinal em relação ao início do dia e o derivado fechou os negócios com mais de 1% de alta. O óleo seguiu recuando, ainda pressionado pelo petróleo - que intensificou suas baixas e perdeu mais de 4% nesta terça-feira - e limitou os ganhos da soja. 

Ainda assim, e com apoio dos prêmios e do dólar, nos portos do Brasil as cotações ainda têm conseguido sustentar patamares importantes nas principais posições de entrega e pagamento. Os indicadores, de acordo com o levantamento da Brandalizze Consulting, variam de R$ 150,00 a R$ 158,00 para a soja disponível em Rio Grande, a depender dos prazos. Já para a oleaginosa da safra 2026/27, os preços variavam de R$ 139,00 a R$ 145,00. Os prêmios para a nova temporada estão ainda mais enfraquecidos, negativos em algumas regiões, e limitam o avanço das referências. 

"Na semana passada estávamos em um ambiente melhor, é um  momento de recuperação do fôlego. E agora tem o clima, se essas chuvas realmente furarem de novo nos EUA, Chicago tem fôlego para subir mais e o mercado mostra que tem suporte forte nos US$ 12,00, e isso é bom sinal. Para o produtor é uma boa notícia", explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting. 

GANHOS EM CHICAGO

Apesar da pressão do início do dia, o movimento desta terça-feira é interpretado pelo mercado como predominantemente técnico. No entanto, o mercado deu espaço às preocupações com o clima e com a nova safra dos EUA, que teve seu índice de classificação de lavouras em boas ou excelentes condições reduzido pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) na tarde de ontem. O número saiu de 66% para 63% em uma semana e chamou a atenção dos traders. 

"A queda de 4 pp nas condições boas/excelentes é a maior para o mês de julho desde 2012 e a mais intensa para qualquer semana desde junho de 2023", afirma o Grupo Labhoro em seu reporte diário.

A consultoria relata ainda que a semana tem sido marcada, nos Estados Unidos, por temperaturas ainda elevadas, com máximas superiores a 31°C no oeste do Corn Belt, entre 28°C e 30°C na região central e de 25°C a 28°C no leste, enquanto o sul do país registrou temperaturas acima de 37°C. 

"A atualização da tarde do modelo GFS indicou um alívio temporário entre sexta-feira e domingo, acompanhado por chuvas em Iowa, Wisconsin e Illinois. No entanto, as projeções seguem apontando o retorno de máximas superiores a 30°C no início de agosto", complementou o time da Labhoro.

E apesar do clima no Meio-Oeste americano ter ligado uma série de alertas ao mercado neste momento, há ainda a interferência do cenário geopolítico ainda muito forte sobre as commodities agrícolas, em especial sobre o complexo soja. 

"No cenário geopolítico, não foram registrados novos ataques relevantes entre Rússia e Ucrânia nem no Oriente Médio. As atenções permanecem voltadas às negociações envolvendo Omã e Irã, após a apresentação de uma proposta para a gestão conjunta do Estreito de Ormuz, que ainda aguarda uma resposta oficial de Teerã", traz a consultoria. Ainda assim, os futuros tanto do petróleo brent, quanto do WTI terminaram o dia com perdas de mais de 4%. 

"Após acumularem queda de aproximadamente 17% nos três dias anteriores, as principais referências do petróleo caminharam para o menor fechamento desde 13 de julho. O mercado reagiu positivamente à proposta apresentada por Omã ao Irã, com apoio dos países do Golfo, para a gestão conjunta do Estreito de Ormuz, incluindo contribuições voluntárias pelo uso da rota. O Irã ainda não respondeu à proposta, que busca restabelecer o fluxo comercial pelo estreito, responsável por cerca de 20% do transporte mundial de petróleo antes do início do conflito", conclui o Grupo Labhoro. 

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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