Café abre sexta-feira em alta, com mercado sustentado por colheita lenta e perspectiva de menor superávit global
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O mercado do café iniciou as negociações desta sexta-feira (31) em alta nas bolsas internacionais, mantendo a sustentação observada nos últimos dias. O avanço das cotações reflete a combinação entre o atraso da colheita brasileira, a expectativa de menor oferta global e a firmeza do mercado físico nacional, que segue registrando comercialização limitada por parte dos produtores.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato setembro/26 do café arábica era negociado a 327,60 cents de dólar por libra-peso, com alta de 4,55 pontos, avanço de 1,41%. Os demais vencimentos também operavam em valorização. O contrato dezembro/26 subia 4,35 pontos, cotado a 312,05 cents/lbp; março/27 avançava 3,60 pontos, para 303,20 cents/lbp; e maio/27 registrava ganho de 3,80 pontos, sendo negociado a 301,90 cents/lbp.
Na ICE Europe, em Londres, o robusta também iniciou o dia em campo positivo. O contrato setembro/26 era negociado a US$ 3.795 por tonelada, com alta de US$ 15, avanço de 0,40%. O vencimento novembro/26 subia US$ 23, para US$ 3.784 por tonelada; janeiro/27 avançava US$ 23, cotado a US$ 3.751 por tonelada; março/27 ganhava US$ 17, para US$ 3.715 por tonelada; e maio/27 registrava alta de US$ 16, sendo negociado a US$ 3.691 por tonelada.
O principal fator de sustentação continua sendo o ritmo da colheita brasileira. Segundo levantamento da Safras & Mercado, os trabalhos alcançaram 78% da safra, percentual inferior ao registrado no mesmo período do ano passado e também abaixo da média histórica para a época. As chuvas recorrentes nas principais regiões produtoras interromperam as atividades em diversos momentos, retardando a entrada do café no mercado e elevando as preocupações quanto à qualidade dos grãos.
Além do atraso, o excesso de umidade durante a fase final da colheita tem aumentado os riscos de perda de qualidade, especialmente no café arábica. O cenário mantém compradores atentos à disponibilidade de lotes de melhor padrão e contribui para sustentar as cotações internacionais.
Outro ponto de apoio ao mercado veio da Hedgepoint Global Markets, que reduziu sua estimativa para o superávit global de café na temporada 2026/27. A consultoria passou a projetar um excedente de 8,2 milhões de sacas, refletindo revisões na produção e no consumo mundial. Embora o balanço continue indicando oferta superior à demanda, a redução do superávit reforça a percepção de um mercado menos confortável do que o estimado anteriormente.
No Brasil, o mercado físico deve encerrar a semana com preços firmes. Segundo a Safras & Mercado, a combinação entre bolsas internacionais ainda em patamares elevados, oferta restrita por parte dos produtores e demanda consistente mantém os valores sustentados. Muitos cafeicultores seguem comercializando apenas volumes necessários para cumprir compromissos imediatos, apostando em preços mais atrativos nos próximos meses.
Para o restante do dia, os operadores continuarão acompanhando o avanço da colheita brasileira, a evolução das condições climáticas nas regiões produtoras e o comportamento dos fundos de investimento, fatores que seguem determinando o rumo das cotações nas bolsas internacionais.
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