Estatais chinesas fecham grandes compras de soja dos EUA

Publicado em 03/08/2026 17:37

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Por Naveen Thukral e Ella Cao

3 Ago (Reuters) - O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) confirmou nesta segunda-feira que a China comprou quase meio milhão de toneladas de soja, depois que operadores do mercado informaram anteriormente que empresas estatais chinesas haviam adquirido, na sexta-feira, entre 14 e 16 cargas, totalizando um milhão de toneladas.

A Reuters informou na sexta-feira que compradores do governo chinês adquiriram pelo menos oito cargas de soja dos EUA para embarque a partir de terminais da Costa do Golfo dos EUA e seis cargas para embarque a partir de portos do Noroeste do Pacífico em outubro e novembro, citando dois operadores norte-americanos com conhecimento dos negócios.

Os compradores estavam aproveitando os preços mais baixos em uma onda de compras antes da visita prevista do presidente Xi Jinping aos EUA no próximo mês.

"Esses negócios foram fechados principalmente pela Sinograin, e o principal motivo é a queda nos preços na semana passada. Há planos para que o presidente Xi visite os EUA em setembro, então a China também está tentando comprar soja norte-americana, em cumprimento ao compromisso assumido com Washington", disse à Reuters, nesta segunda-feira, um trader de uma empresa de comércio internacional com sede na Ásia.

As empresas pagaram um prêmio de US$3,03 por bushel acima do contrato de novembro da Chicago Board of Trade para embarques do Golfo dos EUA e um prêmio de US$3 para embarques do Noroeste do Pacífico, disse uma fonte. O contrato de soja mais ativo caiu 5,2% na semana passada.

A Casa Branca anunciou em outubro que a China havia concordado em comprar 25 milhões de toneladas de soja dos EUA anualmente até o final de 2028.

Antes das compras de sexta-feira, a China havia adquirido pouco mais de 4 milhões de toneladas este ano, refletindo o ritmo mais forte de compras da China da próxima safra dos agricultores norte-americanos em quatro anos, de acordo com dados do USDA.

As empresas estatais Sinograin e Cofco não responderam aos pedidos de comentários ou confirmação das compras.

A Sinograin, da China, vendeu cerca de metade das 504 mil toneladas de soja importada oferecidas no leilão de sexta-feira, à medida que a empresa estatal de estocagem abre espaço para as cargas americanas que estão por chegar.

No final de julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que seu homólogo chinês, Xi, visitaria o país em 24 de setembro.

Os mercados aguardam para ver se a China retirará as tarifas sobre a soja dos EUA, o que permitiria que processadoras privadas participassem das compras.

Ainda não está claro, no entanto, se a soja dos EUA seria competitiva o suficiente para atrair esses compradores sensíveis aos preços.

IMPACTO "SUAVE" PARA BRASIL

As compras de soja dos EUA pela China neste momento, para embarques em outubro e novembro, não representam grande problema para o Brasil, principal competidor dos norte-americanos no mercado da oleaginosa, segundo um especialista brasileiro.

A China, destino de mais de 70% da soja exportada pelo Brasil de janeiro a julho de 2026, fez compras do produto dos EUA em momento em que os exportadores brasileiros já fecharam a maior parte dos negócios da safra colhida no primeiro semestre.

"Na minha opinião, o impacto seria suave na medida em que grande parte (da soja do Brasil) já terá sido embarcada", disse o gerente de inteligência de mercado na América Corretora Thomas Ceglia, à Reuters.

Ele lembrou ainda que os embarques do Brasil em novembro, dezembro e janeiro são, sazonalmente, menores em relação ao restante do ano, o que também limita o impacto.

O especialista citou ainda que, na medida em que tais compras chinesas seriam "políticas", diante da visita do presidente chinês aos EUA, o efeito para o Brasil seria "passageiro" e "momentâneo".

Ceglia notou ainda que o Brasil deverá ter estoques de passagem de 8 milhões a 10 milhões de toneladas, um fator que limita eventuais altas do preço nos portos.

(Reportagem de Naveen Thukral, Ella Cao, Karl Plume e Roberto Samora, em São Paulo)

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Fonte:
Reuters

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