Açúcar amplia ganhos com expectativa de déficit global e preocupações com a safra da Índia

Publicado em 04/08/2026 10:59
Cotações avançam em Nova Iorque e Londres diante de projeções de menor oferta mundial, enquanto mercado acompanha clima na Índia e impactos do El Niño.

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Os preços do açúcar seguem em alta nas principais bolsas internacionais nesta terça-feira (4), sustentados pelas perspectivas de um mercado global mais apertado na safra 2026/27 e pelas incertezas climáticas na Índia. As revisões para déficits mundiais da commodity e o risco de uma temporada de monções abaixo do normal no segundo maior produtor mundial reforçam o viés positivo das cotações.

Por volta das 11h (horário de Brasília), na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro era negociado a 15,05 cents de dólar por libra-peso, alta de 4 pontos. O vencimento março/27 avançava 6 pontos, para 15,97 cents por libra-peso.

Na ICE Europe, em Londres, o contrato outubro era negociado a US$ 474,50 por tonelada, alta de 500 pontos. Já o contrato dezembro subia 460 pontos, para US$ 473,10 por tonelada.

Expectativa de déficit global sustenta mercado

O principal fator de sustentação das cotações continua sendo a perspectiva de menor oferta mundial de açúcar na próxima safra. Na segunda-feira, a Covrig Analytics revisou sua estimativa para o balanço global de 2026/27, passando a projetar um déficit de 300 mil toneladas, enquanto anteriormente previa um superávit de 100 mil toneladas.

O cenário se soma às revisões feitas por outras consultorias nos últimos dias. A Green Pool Commodity Specialists elevou sua projeção de déficit global para 3,3 milhões de toneladas, acima dos 1,76 milhão estimados em junho. Já a StoneX passou a projetar um déficit de 1,7 milhão de toneladas, frente à estimativa anterior de 550 mil toneladas.

As novas projeções reforçam a percepção de um mercado mais apertado, oferecendo suporte às cotações internacionais.

Clima na Índia segue no radar

Além das estimativas para o balanço global, o mercado acompanha atentamente as condições climáticas na Índia. O Departamento Meteorológico do país informou que as chuvas de monção entre agosto e setembro devem ficar abaixo da média, enquanto o Ministério de Ciências da Terra mantém o alerta de que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos.

Apesar desse cenário, os dados mais recentes mostram melhora nas precipitações. Até 3 de agosto, o acumulado de chuvas estava 12% abaixo da média histórica, uma recuperação importante frente ao déficit de 42% observado no fim de junho.

A evolução do clima segue sendo determinante para as expectativas de produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.

El Niño continua elevando incertezas

Os investidores também permanecem atentos aos possíveis impactos do El Niño sobre a produção global. O fenômeno climático pode reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, comprometendo o desenvolvimento dos canaviais e restringindo a oferta da commodity.

No início de julho, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos indicou que o El Niño poderá ser um dos mais intensos das últimas décadas. Paralelamente, o serviço meteorológico indiano reduziu sua estimativa para o volume de chuvas da temporada de monções para 90% da média histórica, abaixo dos 92% previstos anteriormente.

Mercado pode migrar para déficit em 2026/27

A perspectiva de um mercado mais apertado também foi reforçada por uma pesquisa da Reuters com 11 operadores e analistas. O levantamento aponta que os contratos futuros do açúcar bruto na ICE devem encerrar o ano próximos de 15 cents de dólar por libra-peso, cerca de 4% acima dos níveis atuais.

Segundo a pesquisa, o mercado deve passar de um superávit global estimado em 4,78 milhões de toneladas na safra 2025/26 para um déficit de aproximadamente 800 mil toneladas em 2026/27.

"Com as perdas relacionadas ao clima já evidentes e as condições adversas no Hemisfério Norte previstas para se intensificarem devido ao El Niño, projeta-se que o balanço global do açúcar passe a apresentar déficit em 2026/27", afirmou Livea Coda, analista da Hedgepoint.

Para o Centro-Sul do Brasil, os participantes da pesquisa estimam produção de 40 milhões de toneladas de açúcar na safra 2026/27, ligeiramente abaixo das 40,43 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior.

Apesar da expectativa de moagem maior, de 638 milhões de toneladas de cana, apenas cerca de 47% da matéria-prima deverá ser destinada à fabricação de açúcar, abaixo dos aproximadamente 50,3% da safra passada, refletindo a maior participação do etanol no mix das usinas.

Na Índia, a estimativa mediana aponta produção de 29,4 milhões de toneladas na próxima safra, acima das 28,1 milhões previstas para 2025/26. Já para o açúcar branco negociado em Londres, a expectativa é de encerramento do ano em torno de US$ 479 por tonelada, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 12% em relação ao fechamento do ano anterior.


 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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