Soja amplia perdas e despenca quase 20 pontos em Chicago com petróleo derretendo mais de 5%
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Os preços da soja despencam quase 20 pontos na Bolsa de Chicago nesta tarde de terça-feira (4), acompanhando baixas intensas do milho, do trigo, dos derivados e, principalmente do petróleo - este recuando mais de 5% tanto no brent, quanto no WTI. Assim, por volta de 14h (horário de Brasília), as cotações recuavam entre 17,25 e 19,50 pontos nos contratos mais negociados, levando o novembro a US$ 11,74 e o janeiro a US$ 11,89 por bushel.
A mudança de direção do petróleo - que abriu o dia com fortes ganhos - ocorre diante da renovação das expectativas de avanço nas negociações diplomáticas envolvendo Estados Unidos e Irã. A percepção de um possível alívio nas tensões sobre o fornecimento global de petróleo reduziu o prêmio de risco embutido nos preços da commodity, levando Brent e WTI a devolverem boa parte dos ganhos recentes.
Segundo informações da agência internacional de notícias Bloomberg, "o Catar anunciou que foi elaborado um possível acordo para retomar as negociações entre os EUA e o Irã, enquanto mediadores pressionam por uma solução de curto prazo para reduzir as tensões". Um porta-voz do país afirmou ainda que "proposta de resolução está sendo discutida entre as partes", mas ainda sem um acordo no horizonte. O foco estaria na busca por uma solução de curto prazo para evitar confrontos mais sérios.
Nas últimas horas, as declarações dos Estados Unidos e do Irã foram bastante divergentes em relação às negociações. O presidente americano Donald Trump afirma que as negociações estão em andamento e que esta é a última chance do Irã garantir um bom acordo com os EUA. De outro lado, as autoridades iranianas negam veemente as afirmações e garantem que não estão em processo de negociação com o Washington. Assim, é incerta a situação e os mercados seguem estressados e sem perspectiva, se adaptando às manchetes que mudam rapidamente.
Ao mesmo tempo, o mercado continua encontrando pouca sustentação nos fundamentos agrícolas. A manutenção das boas perspectivas para a safra norte-americana, favorecida pelo clima até aqui favorável no Meio-Oeste dos Estados Unidos, segue limitando tentativas de recuperação das cotações e incentivando novas vendas por parte dos fundos de investimento.
Com isso, o mercado agrícola volta a operar sob influência predominante dos fatores macroeconômicos. Enquanto o petróleo permanece pressionado e os investidores reduzem posições em ativos considerados mais arriscados, soja, milho e trigo tendem a manter um viés defensivo, acompanhando de perto tanto a evolução das negociações geopolíticas quanto o comportamento do mercado financeiro global.
E um dos pontos de maior sensibilidade entre todos os envolvidos continua sendo o estreito de Ormuz. O local segue inseguro, com EUA e o Irã disputando o controle da rota marítima, com agora Omã buscando um acordo para um controle conjunto do estreito.
"Segundo fontes familiarizadas com o assunto, a passagem foi minada pelo Irã e pode ter que ser desminada antes que embarcações possam utilizá-la regularmente. O ponto de estrangulamento, um canal vital para o fornecimento de petróleo, gás natural liquefeito e outras mercadorias, como fertilizantes, permanece praticamente fechado. Quase nenhum navio está navegando por ali, pelo menos não com seus transponders ligados. A maioria dos que o fazem segue por uma rota ao norte, próxima à costa do Irã, com permissão iraniana, ou por uma rota ao sul, perto do território omanita", complementa a Bloomberg.
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