Ciclone bomba pode elevar risco de temporais no Sul e ventania no Sudeste
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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) monitora a formação de um ciclone extratropical entre a Argentina, o Uruguai, o Sul do Brasil e o Oceano Atlântico, com potencial para provocar temporais e ventos intensos entre quinta-feira (6) e sábado (8). As condições atmosféricas também favorecem uma rápida intensificação do sistema, processo conhecido como ciclogênese explosiva, que poderá levar à classificação de ciclone bomba, caso a queda da pressão atmosférica atinja os critérios técnicos durante sua evolução.
O sistema deve começar a se organizar na quinta-feira sobre o norte da Argentina e o Paraguai, avançando em direção ao Uruguai e ao litoral do Rio Grande do Sul. A partir de sexta-feira, a expectativa é de fortalecimento da baixa pressão, elevando o potencial para eventos meteorológicos severos no Sul do país.
Segundo o meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, a atuação desse tipo de sistema já vem influenciando o padrão de tempo observado na região.
"A gente já vem observando, volta e meia, episódios de chuva intensa sobre a Região Sul. Não é um comportamento restrito ao Rio Grande do Sul. Os temporais também têm atingido outros estados da região e até áreas do Sudeste."
O que é um ciclone bomba?
O termo "ciclone bomba" é utilizado para definir um ciclone extratropical que passa por um processo de intensificação muito rápida, chamado de ciclogênese explosiva. Nesses casos, ocorre uma queda acentuada da pressão atmosférica em um curto período, tornando o sistema mais intenso.
Embora a possibilidade exista para este evento, o Inmet ressalta que a classificação somente poderá ser confirmada após o acompanhamento da evolução do sistema nos próximos dias.
Chuva, granizo e ventania
Independentemente da classificação, a expectativa é de impactos importantes para a Região Sul. A frente fria associada ao ciclone deve provocar chuva forte, descargas elétricas, queda de granizo e ventos intensos, principalmente entre quinta-feira e sábado.
No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, as rajadas de vento podem ultrapassar 60 km/h. Já sobre o Oceano Atlântico, nas proximidades do centro do ciclone, os ventos podem superar 100 km/h.
Para os produtores rurais, a atenção deve se voltar principalmente às operações de campo, já que as tempestades podem dificultar atividades como plantio, pulverização, transporte e colheita, além de provocar danos localizados em lavouras e estruturas rurais.
Frente fria leva ventania ao Sudeste
Os efeitos do sistema também devem ser sentidos no Sudeste. Na sexta-feira (7), a passagem da frente fria favorecerá rajadas expressivas de vento, especialmente em São Paulo, devido ao contraste entre a massa de ar frio e o ar quente que atua sobre a região.
Na capital paulista, as rajadas podem alcançar 80 km/h, enquanto no sul da Região Metropolitana os ventos podem superar 90 km/h. No litoral paulista, Serra do Mar, Vale do Ribeira, Baixada Santista, Vale do Paraíba e em áreas das regiões de Campinas e Sorocaba, as rajadas podem variar entre 90 e 110 km/h.
No interior de São Paulo, incluindo as regiões de Presidente Prudente, Bauru, Ribeirão Preto, Franca, Barretos e São José do Rio Preto, a previsão indica ventos entre 60 e 90 km/h.
No estado do Rio de Janeiro, as rajadas podem atingir 70 km/h na capital e variar entre 70 e 90 km/h na Costa Verde, sul fluminense e Região Serrana.
Em Minas Gerais, os ventos devem ficar entre 70 e 80 km/h no sul do estado e na Zona da Mata. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Triângulo Mineiro, Centro-Oeste e Vale do Rio Doce, as rajadas podem oscilar entre 50 e 70 km/h.
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