Setor cafeeiro enaltece trabalhos para atender a exigências dos mercados internacionais
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) participou, ontem, 4 de agosto, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo (SP), do I Encontro Brasileiro de Direitos Humanos e Empresas (I Encontro DH&E Brasil 2026), realizado pela Aliança Pelos Direitos Humanos e Empresas (ADHE), com correalização do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Em um mundo marcado por crises globais, reconfiguração de cadeias produtivas e crescente pressão regulatória, o evento teve o intuito de mostrar que, mais do que uma questão de conformidade, a agenda de Empresas e Direitos Humanos é estratégica para a resiliência e a competitividade de longo prazo.
Para isso, o I Encontro DH&E Brasil 2026 reuniu empresas, poder público, sociedade civil, titulares de direitos, academia e organismos internacionais para dialogar, trocar experiências e fomentar a construção conjunta de soluções para fortalecer uma atuação empresarial mais responsável e alinhada aos desafios contemporâneos, conectando o debate brasileiro às discussões internacionais.
Em sua explanação, o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, pontuou que o setor cafeeiro brasileiro tem ampliado os mecanismos de rastreabilidade e monitoramento socioambiental para atender às crescentes exigências dos mercados internacionais, incluindo as regras do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR, em inglês).
“Expomos que, em 2023, o Cecafé lançou a ‘Plataforma de Monitoramento Socioambiental Cafés do Brasil’, que reúne exportadores e utiliza bases oficiais do governo para verificar aspectos como cumprimento do Código Florestal, regularidade fundiária, ausência de desmatamento e respeito às normas trabalhistas e de direitos humanos, permitindo um rastreio do café até o polígono de produção da propriedade e a geração de documentação auditável para comprovar a conformidade socioambiental dos embarques”, explica.
Matos revelou, ainda, que os trabalhos preventivos e de qualificação que o Cecafé promove envolvem capacitação, prevenção e diálogo com produtores e trabalhadores, como no exemplo do Programa Trabalho Sustentável (PTS), desenvolvido em parceria com autoridades fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que capacitou mais de 600 multiplicadores técnicos em boas práticas trabalhistas em 2026, e da Mesa Nacional de Diálogo pelo Trabalho Decente na Cafeicultura.
O diretor-geral do Cecafé também falou sobre a atuação da fiscalização pública no setor, informando que aproximadamente 99% das inspeções realizadas na cafeicultura encontram condições de conformidade, atendendo aos padrões de proteção dos direitos humanos. “Para o Cecafé, a combinação entre dados públicos, fiscalização, monitoramento e ações preventivas permite estruturar processos de devida diligência mais eficientes e confiáveis”, comenta.
No que tange aos compradores internacionais, Matos anota que a recomendação transmitida é priorizar as informações já disponíveis nas bases oficiais brasileiras e evitar pedidos excessivos ou duplicados aos exportadores.
“O cruzamento de notas fiscais com dados georreferenciados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de informações sobre embargos ambientais, áreas protegidas e inspeções trabalhistas, permite identificar a origem do café, o produtor responsável e reunir as evidências necessárias em um relatório consolidado de conformidade socioambiental, efetivando a devida diligência, não sendo necessária a criação de novos trâmites que ampliem a burocracia e retardem processos”, conclui.
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