Ciclone-bomba coloca Sul em alerta e provoca mudança no tempo em parte do Brasil
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O avanço de um ciclone extratropical sobre o Sul do Brasil deve provocar uma mudança significativa no tempo entre esta quinta-feira (6) e sexta-feira (7). Enquanto os produtores gaúchos, catarinenses e paranaenses precisam redobrar a atenção para temporais, rajadas de vento e possibilidade de granizo, grande parte do interior do país segue sob influência do ar seco, mantendo o risco para baixa umidade e elevando a preocupação com incêndios e estresse hídrico nas lavouras.
De acordo com o meteorologista Denis William Garcia, da Meteored, o ciclone ainda estava em processo de formação durante a manhã desta quinta-feira, entre a Argentina e o Uruguai, antes de ganhar força sobre o Oceano Atlântico.
"A gente já vê o início da formação desse ciclone sobre a Argentina e também no Uruguai. Ele ainda está naquele processo de formação e vai ganhar intensidade nas próximas horas", explica Denis.
Segundo o especialista, embora o centro do sistema permaneça sobre o oceano, a frente fria associada ao ciclone será responsável pelos impactos sobre o território brasileiro.
"Quem avança sobre o continente é a frente fria. É ela que provoca chuvas, tempestades, vendavais e queda de granizo", destaca.
Denis esclarece que o termo "ciclone-bomba" não tem relação com explosões, mas sim com a rápida intensificação do sistema meteorológico.
"O nome bomba acontece porque, em menos de 24 horas, o centro do sistema apresenta uma queda muito acentuada da pressão atmosférica. Esse ciclone deve sair de aproximadamente 998 para 970 hectopascais em apenas um dia, ultrapassando o critério que caracteriza um ciclone-bomba."
Sul concentra os maiores riscos
Os impactos mais expressivos devem ocorrer entre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A combinação entre a frente fria e o fortalecimento do ciclone favorece chuva intensa, descargas elétricas, granizo e ventos que podem superar os 100 km/h em pontos da Serra Gaúcha e da Serra Catarinense.
"As áreas com maior risco são justamente as mais próximas do ciclone. Teremos chuva intensa, tempestades e rajadas de vento que podem chegar aos 100 quilômetros por hora", afirma Denis.
Para o produtor rural, o cenário exige atenção principalmente às lavouras de inverno, estruturas agrícolas e atividades de campo, que podem ser interrompidas pelas condições severas.
Centro-Oeste e Sudeste também sentem os efeitos
Embora com menor intensidade, a frente fria também alcança o sul de Mato Grosso do Sul e parte de São Paulo, onde há previsão de pancadas de chuva e rajadas de vento nesta sexta-feira.
"No Centro-Oeste e no Sudeste os efeitos serão menores, mas ainda há previsão de chuva no sul do Mato Grosso do Sul e mudança do tempo em São Paulo."
No restante dessas regiões, o tempo continua firme, favorecendo os trabalhos no campo. No entanto, a baixa umidade relativa do ar segue como principal preocupação, especialmente em Goiás, Mato Grosso, Distrito Federal, Triângulo Mineiro e áreas do Matopiba, onde os índices podem ficar abaixo dos 20%.
Norte e Nordeste mantêm padrão típico
Na Região Norte, a maior concentração de chuva permanece sobre o Amazonas e Roraima, com pancadas que podem ocorrer de forma mais intensa em alguns momentos. Já no Nordeste, as precipitações continuam restritas principalmente à faixa litorânea, enquanto o interior permanece sob domínio do tempo seco.
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