Ciclone-bomba: saiba o que é mito e o que é verdade sobre o fenômeno no Brasil

Publicado em 06/08/2026 11:09
Nome assusta, mas não significa explosão nem furacão. Meteorologista esclarece as principais dúvidas e explica o que realmente esperar da atuação do ciclone extratropical.

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A formação de um ciclone-bomba nas proximidades do Sul do Brasil voltou a movimentar as redes sociais nos últimos dias. Entre vídeos alarmistas e informações falsas, surgiram dúvidas sobre os riscos do fenômeno, principalmente para quem vive ou trabalha no campo.

Embora o sistema possa provocar temporais, ventos intensos e granizo, especialistas alertam que muitas das informações compartilhadas nas redes sociais estão incorretas.

Para ajudar produtores rurais e a população em geral, o Notícias Agrícolas reuniu os principais mitos e verdades sobre o ciclone-bomba, com explicações do meteorologista Denis William Garcia, da Meteored.

Mito: O nome "ciclone-bomba" significa que haverá uma explosão

O nome costuma assustar, mas não tem qualquer relação com explosões.
Segundo Denis Garcia, o termo "bomba" faz referência apenas à velocidade com que o sistema ganha força.

"O nome tem a ver com a intensificação muito rápida. Não quer dizer que vai explodir chuva. Ele recebe esse nome porque a pressão atmosférica cai muito rapidamente. A comparação com uma bomba é justamente pela rapidez desse processo."

Em meteorologia, um ciclone é considerado uma "bomba" quando sua pressão central diminui cerca de 24 hectopascais em 24 horas, indicando um rápido fortalecimento.

Mito: Ciclone-bomba significa chuva extrema em poucas horas

Apesar de poder provocar temporais, o nome não está relacionado ao volume de chuva.

A classificação depende exclusivamente da rapidez da queda da pressão atmosférica e não da quantidade de chuva registrada.
Em alguns eventos, o maior impacto pode ser o vento; em outros, a chuva ou o granizo.

Mito: O ciclone-bomba é um furacão

Essa é uma das confusões mais comuns.

Denis explica que o ciclone extratropical e o furacão são fenômenos completamente diferentes.

"O furacão é outro sistema. Ele se forma sobre águas muito quentes e não possui frente fria associada. O ciclone extratropical é diferente e se desloca em direção ao Oceano Atlântico, enquanto a frente fria avança sobre o continente."

Verdade: O ciclone pode provocar ventos muito fortes

O principal risco associado ao sistema costuma ser o vento.

Nesta ocorrência, as rajadas podem ultrapassar os 100 km/h em áreas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, aumentando o risco de destelhamentos, queda de árvores e danos às lavouras e estruturas rurais.

Verdade: O granizo pode acompanhar as tempestades

A combinação entre ar frio, calor e grande instabilidade favorece a formação de tempestades severas.

Essas tempestades podem vir acompanhadas de descargas elétricas, ventos intensos e queda de granizo, especialmente sobre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná.

Mito: Todo o Brasil será atingido pelo ciclone

O ciclone se forma próximo à Argentina e ao Uruguai e, normalmente, desloca-se em direção ao Oceano Atlântico.

Quem leva o tempo severo para o continente é a frente fria associada ao sistema.

Os maiores impactos costumam ocorrer na Região Sul e, em menor intensidade, podem alcançar áreas do Mato Grosso do Sul, São Paulo e parte do Sudeste.

No restante do país, o predomínio continua sendo de tempo seco e baixa umidade.

Verdade: O produtor rural deve acompanhar os alertas meteorológicos

Para quem trabalha no campo, acompanhar a evolução do sistema é fundamental.
Ventos fortes podem provocar acamamento de lavouras, granizo pode causar perdas em culturas sensíveis e chuvas intensas dificultam operações agrícolas.

Ao mesmo tempo, produtores do Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba continuam enfrentando outro desafio: a baixa umidade do ar, que aumenta o risco de incêndios e reduz a disponibilidade de água no solo.

Como destaca Denis Garcia, o ciclone é um fenômeno conhecido da meteorologia e monitorado continuamente pelos institutos de previsão. O mais importante é buscar informações em fontes oficiais e evitar compartilhar conteúdos alarmistas sem confirmação.

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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