Anec mantém previsão de exportação recorde de soja do Brasil em 2026, mas alerta para dívidas agrícolas

Publicado em 06/08/2026 18:10 e atualizado em 06/08/2026 18:45

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Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 6 Ago (Reuters) - O Brasil deverá exportar um recorde de 114 milhões de toneladas de soja em 2026, aumento de quase 5% em relação à melhor marca anterior registrada no ano passado, com uma demanda "aquecida" e diante do crescimento da safra do país, estimou nesta quinta-feira a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

A associação de tradings manteve a projeção de embarques da oleaginosa do país para o ano, mas fez um alerta dos impactos de dificuldades financeiras dos agricultores para as próximas safras do maior produtor e exportador de soja.

No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o Brasil exportou 84,8 milhões de toneladas, cerca de 5 milhões de toneladas acima do visto no mesmo período de 2025, frisou a Anec.

Com embarques de agosto estimados preliminarmente nesta quinta-feira em 9,74 milhões de toneladas -- alta de 1,6 milhão de toneladas na comparação com o mesmo período de 2025 --, a exportação no acumulado do ano até o final do mês poderia atingir 94,5 milhões de toneladas, estimou a Anec.

Entretanto, há preocupações com as consequências dívidas de agricultores para as safras e exportações futuras do Brasil.

"O endividamento no campo cresce de forma significativa e sinaliza o enfraquecimento da saúde financeira dos produtores, que ainda não demonstra capacidade de recuperação, em razão das margens cada vez mais apertadas, além das restrições de crédito", afirmou Jean Carlo Budziak, engenheiro agrônomo e responsável pela área de Inteligência de Mercado da Anec, em relatório.

Ele citou levantamento realizado pela associação em junho, em Mato Grosso, que mostrou o custo médio de produção de soja em aproximadamente US$423,31 por tonelada, acima da receita obtida com a exportação, vista em US$417,01 por tonelada.

"Esse cenário é preocupante e tende a limitar a expansão da área cultivada e da produção nas próximas safras, refletindo também sobre o potencial de crescimento das exportações", afirmou Budziak.

"Isso não significa que o país deixará de crescer, mas indica que esse crescimento dificilmente ocorrerá no mesmo ritmo observado nos últimos anos."

MILHO E FARELO

A estimativa da Anec para as exportações de milho, baseada na programação de navios, indica inicialmente uma queda nos embarques do cereal do Brasil este mês para cerca de 4 milhões de toneladas, versus 7,34 milhões em agosto do ano passado.

Segundo o relatório, a previsão deverá passar por alteração nas próximas semanas.

O mês de agosto costuma ser importante para a exportação de milho do Brasil, quando a colheita da segunda safra já está em estágio mais avançado e os volumes de soja são menores, abrindo espaço para o cereal nos portos.

Mas em 2026 o país tem enfrentado forte concorrência dos Estados Unidos e da Argentina na exportação de milho.

Com base na estimativa atual para agosto e nos embarques de janeiro a julho, a exportação brasileira de milho no acumulado do ano até o final do mês foi estimada em 13,2 milhões de toneladas, o que seria uma queda de 22,4% na comparação com o mesmo período de 2025.

Os embarques de farelo de soja, por sua vez, têm sido maiores em 2026. Em agosto, a Anec projeta inicialmente embarques de 2,475 milhões de toneladas, avanço de mais de 450 mil toneladas ante o mesmo mês do ano passado.

(Por Isabel Teles e Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)

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Fonte:
Reuters

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