Açúcar amplia ganhos com queda da produção no Brasil e preocupação com oferta global
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As cotações do açúcar seguem em forte alta nas principais bolsas internacionais nesta sexta-feira (7), impulsionadas pela redução da produção brasileira, pelas projeções de déficit global para a safra 2026/27 e pelas preocupações com as condições climáticas na Índia. O movimento amplia os ganhos registrados nas últimas sessões e leva os contratos aos maiores patamares dos últimos meses.
Na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), por volta das 12h (horário de Brasília), o contrato outubro era negociado a 16,28 cents de dólar por libra-peso, alta de 71 pontos. O contrato maio/27 era vendido a 17,18 cents por libra-peso, avanço de 69 pontos.
Na ICE Europe, em Londres, o contrato outubro do açúcar branco era comercializado a US$ 502,00 por tonelada, alta de 158 pontos. O contrato dezembro avançava 143 pontos, negociado a US$ 580,00 por tonelada.
Na véspera, os preços do açúcar encerraram a sessão em forte alta. O mercado foi impulsionado principalmente pelos dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), que apontaram queda de 26,3% na produção de açúcar do Centro-Sul em junho, para 3,903 milhões de toneladas. Como o Brasil é o maior produtor e exportador mundial da commodity, a redução da oferta reforçou o movimento de valorização nas bolsas.
Déficit global reforça sustentação das cotações
Além da menor produção brasileira, o mercado continua precificando um cenário de oferta global mais apertada para a safra 2026/27.
Na segunda-feira, a Covrig Analytics revisou sua estimativa e passou a projetar um déficit mundial de 300 mil toneladas, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.
Na mesma direção, a Green Pool Commodity Specialists elevou sua projeção de déficit para 3,3 milhões de toneladas, acima dos 1,76 milhão estimados em junho. Já a StoneX revisou sua previsão para um déficit de 1,7 milhão de toneladas, frente aos 550 mil toneladas projetados anteriormente.
As sucessivas revisões reforçam a percepção de que o mercado poderá enfrentar menor disponibilidade de açúcar ao longo da próxima temporada.
Clima na Índia permanece no radar
Outro fator de sustentação continua sendo o clima na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar.
O Departamento Meteorológico da Índia informou na última semana que as chuvas de monção previstas para agosto e setembro deverão ficar abaixo da média. Paralelamente, o Ministério de Ciências da Terra do país mantém o alerta de que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos.
Como as monções são fundamentais para o desenvolvimento dos canaviais, qualquer redução nas precipitações pode comprometer a produtividade e limitar a produção indiana, cenário que mantém os investidores atentos.
El Niño aumenta preocupação com a oferta
O mercado também segue monitorando os impactos do fenômeno El Niño sobre as principais regiões produtoras de açúcar.
A expectativa é de que o evento climático reduza as chuvas em países como Brasil, Índia e Tailândia, elevando os riscos para a oferta global da commodity.
No início de julho, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos indicou que o atual episódio de El Niño poderá ser um dos mais intensos das últimas décadas. Na Índia, o serviço meteorológico reduziu sua estimativa para o volume de chuvas da temporada de monções para 90% da média histórica, abaixo dos 92% previstos anteriormente.
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