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Preparo antecipado do solo ganha peso na safra de arroz 2026/27 sob El Niño

Publicado em 11/08/2026 15:12
Com margem apertada e previsão de chuva acima da média, decisões nutricionais tomadas antes da semeadura definem eficiência da lavoura, aponta especialista

O início do ciclo da safra de arroz irrigado de 2026/27 no Sul do Brasil combina dois fatores de pressão. O primeiro é de margem: o SindArroz-SC (Sindicato das Indústria de Arroz de Santa Catarina) registra recuperação do saco, de R$ 48-50 no auge da crise da safra 25/26 para cerca de R$ 70 nas últimas semanas, patamar que, na abertura do ciclo anterior, a própria entidade situava abaixo do custo de produção estimado em R$ 75 por saca. 

O segundo é climático. Com o El Niño configurado e previsão de chuva acima da média, o SindArroz-SC projeta uma safra dentro do patamar normal, com possível redução de cerca de 10% na produtividade, e sinaliza atenção ao manejo da água, à saúde das lavouras e à qualidade dos grãos. 

O quadro nacional reforça a pressão por eficiência. Segundo o 10º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área nacional de arroz recuou 13,9% na safra 2025/26, com a produção caindo 13,2%. No arroz irrigado especificamente, a produtividade média nacional recuou 2,2%, para 8.284 kg/ha. A Conab atribui a retração de área às condições de mercado e aos custos de produção, não ao clima. 

Segundo Douglas Vaz-Tostes, especialista em nutrição de lavouras do Grupo GIROAgro, não é mais possível dissociar o manejo climático do nutricional. “A escolha correta dos fertilizantes impacta diretamente a eficiência do sistema produtivo. Quando o produtor aplica o nutriente certo, na dose e no momento adequados, reduz perdas e preserva o potencial produtivo, mesmo em cenários adversos”, afirma.

As Recomendações Técnicas da Pesquisa para o Sul do Brasil, publicadas pela Sociedade Sul-Brasileira de Arroz Irrigado (Sosbai) em 2025, listam entre as medidas para reduzir o impacto do excesso de precipitação a preferência por sistemas em que a semeadura seja menos afetada pela chuva, com destaque para o cultivo mínimo com preparo antecipado da área, o pré-germinado e o sistema mix, em detrimento do convencional.

O documento também registra que, em anos de El Niño, o excesso de precipitação na primavera contribui para o atraso da semeadura no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, onde predomina o sistema pré-germinado, o impacto sobre a operação de semeadura tende a ser menor, o que desloca a atenção para outros pontos do manejo. 

"Com esse cenário, tecnologias que favoreçam o desenvolvimento radicular, a eficiência fotossintética e o equilíbrio nutricional das plantas ganham uma grande importância. Quem entende essa relação entre o clima, o solo e a nutrição estará mais preparado para proteger o potencial produtivo de suas lavouras. Afinal, o clima não pode ser controlado, mas podemos preparar melhor as plantas para enfrentar os desafios que ele impõe." afirma Douglas.

Um dos pontos menos discutidos fora do meio técnico é a toxicidade por ácidos orgânicos. A fermentação da matéria orgânica em solos alagados produz compostos que podem ser tóxicos ao arroz nas fases iniciais, comprometendo germinação, crescimento radicular e estatura da planta. A Sosbai recomenda manejar os resíduos vegetais com antecedência mínima de 30 dias em relação à semeadura, sobretudo quando o volume ultrapassa 4 toneladas por hectare de matéria seca.

O calendário de campo já reflete essa lógica. No Rio Grande do Sul, a Conab registrou que as operações pós-colheita da safra 25/26 se concentraram na sistematização dos quadros e no revolvimento do solo para incorporação da palhada, além da semeadura de culturas de cobertura de inverno voltada à estruturação física e química do solo.

"Quando falamos de regiões que terão possivelmente excesso de chuva, aumentam-se as perdas de nutrientes por lixiviação. Já as regiões que serão acometidas por períodos de estiagem, a absorção fica limitada pela menor disponibilidade de água e pelo menor desenvolvimento do sistema radicular das culturas. Por isso a nutrição deixa de ser apenas fornecimento de nutrientes, nesse momento, e passa a ser uma ferramenta para aumentar a resiliência da lavoura".

No sistema de semeadura em solo seco, a primeira adubação de cobertura com nitrogênio deve ser seguida da inundação da lavoura no menor prazo possível, a recomendação técnica indica no máximo três dias entre a aplicação e a entrada da água. No sistema pré-germinado, a adubação nitrogenada na semeadura não é recomendada, pelo elevado risco de perda do elemento e pela baixa exigência da cultura na fase inicial. 

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Fonte:
GIROAgro

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