Açúcar avança e atinge máximas de 10 meses em Nova Iorque e 15 meses em Londres
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Os preços do açúcar ampliaram a forte alta registrada ao longo da última semana e encerraram a terça-feira (11) nos maiores níveis em meses nas bolsas internacionais. Em Nova Iorque, a cotação atingiu a máxima em 10 meses, enquanto em Londres o açúcar branco alcançou o maior valor em 15 meses, diante das perspectivas de uma oferta global mais restrita na safra 2026/27.
Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato outubro fechou em alta de 26 pontos, a 16,73 cents de dólar por libra-peso. Em Londres, o contrato outubro do açúcar branco avançou 520 pontos, encerrando a sessão a US$ 511,30 por tonelada.
Menor produção global sustenta preços
A perspectiva de queda na produção em importantes regiões produtoras continua dando suporte às cotações. Na Europa, a combinação de seca e temperaturas elevadas deve levar a produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido a 14,98 milhões de toneladas neste ano, o menor volume em 11 anos, segundo dados da S&P Global Energy.
No Brasil, maior produtor mundial, a oferta também apresentou retração. Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostraram que a produção de açúcar no Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas, na comparação com o mesmo mês da safra anterior.
O resultado reforça a percepção de menor disponibilidade da commodity no mercado internacional.
Déficit global entra no radar
Desde que atingiram a mínima em cerca de cinco meses, em 30 de julho, os preços do açúcar acumulam forte recuperação diante da perspectiva de um balanço global mais apertado em 2026/27.
A Covrig Analytics passou a projetar um déficit mundial de 300 mil toneladas na próxima safra, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.
A Green Pool Commodity Specialists também elevou sua estimativa de déficit para 3,3 milhões de toneladas, ante 1,76 milhão de toneladas projetados anteriormente. Já a StoneX passou a estimar um déficit de 1,7 milhão de toneladas, acima dos 550 mil toneladas previstos anteriormente.
As revisões das consultorias aumentam a percepção de que a oferta global poderá ficar abaixo da demanda na próxima temporada.
Clima na Índia preocupa mercado
As condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, continuam entre os principais fatores acompanhados pelos investidores.
Em 31 de julho, o Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas de monção previstas para agosto e setembro provavelmente ficarão abaixo do normal. O Ministério de Ciências da Terra também alertou que a temporada deste ano pode ser a mais fraca em 11 anos.
A temporada de monções ocorre entre junho e setembro e é fundamental para o desenvolvimento da cana-de-açúcar no país. Com isso, a possibilidade de precipitações abaixo da média mantém as preocupações sobre a produção indiana e contribui para sustentar os preços internacionais.
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