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Inmet prevê trimestre mais seco e quente no Centro-Sul, com excesso de chuva no Sul

Publicado em 11/08/2026 16:41
Prognóstico para agosto, setembro e outubro indica chuvas abaixo da média em grande parte do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, enquanto a Região Sul deve ter precipitações acima do padrão
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Previsão sazonal de (a) anomalias de precipitação (mm) e (b) anomalias da temperatura média do ar (°C), obtida pelo modelo objetivo multimodelo INMET/CPTEC/FUNCEME, para o trimestre agostosetembro-outubro (ASO) de 2026. Fonte: INMET.

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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê um trimestre de agosto a outubro com chuvas abaixo da média e temperaturas acima do padrão climatológico em grande parte do Brasil. A principal exceção será a Região Sul, onde a tendência é de precipitações acima da média, especialmente em áreas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

No Centro-Oeste, o prognóstico aponta chuvas abaixo da média e temperaturas até 2 °C acima do padrão em Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O tempo mais seco deve favorecer a colheita do milho de segunda safra, do algodão e do sorgo, além da secagem natural dos produtos. Por outro lado, a combinação de calor e menor disponibilidade de chuva pode intensificar o déficit hídrico, principalmente no norte de Mato Grosso e nas porções norte e nordeste de Goiás.

No Sudeste, a previsão indica precipitações próximas da média apenas no sul de São Paulo. Nas demais áreas, a tendência é de chuva abaixo da média, com desvios negativos de até 50 mm em grande parte de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. As temperaturas devem ficar acima da média em toda a região, com anomalias de até 2 °C em áreas de Minas Gerais e São Paulo. 

O cenário de menor disponibilidade hídrica também merece atenção para a próxima safra. Segundo o Inmet, a irregularidade das chuvas e os déficits de água no solo podem atrasar o início da semeadura da soja em áreas de sequeiro, além de aumentar o risco de falhas de estande e necessidade de replantio caso a implantação ocorra com umidade inadequada. Em São Paulo, a semeadura da oleaginosa ocorre, em grande parte das áreas produtoras, a partir do fim de setembro; em Minas Gerais, principalmente a partir de outubro. 

No Nordeste, a previsão é de chuvas abaixo da média e temperaturas acima do padrão em toda a região. O déficit hídrico deve se intensificar no interior ao longo do trimestre, podendo superar 150 mm em outubro em áreas do Maranhão, Piauí e Vale do São Francisco, na Bahia. O INMET destaca atenção para lavouras de feijão e milho de terceira safra em regime de sequeiro no Sealba e no semiárido. 

Para o Norte, o modelo também indica precipitações abaixo da média em grande parte da região e temperaturas acima do padrão, com anomalias de até 3 °C em áreas do Amazonas, Roraima e Pará. A disponibilidade de água no solo tende a diminuir ao longo do trimestre, cenário que pode aumentar o estresse hídrico e térmico sobre culturas perenes, como cacau, dendê, açaí e frutíferas.

Em sentido contrário, a Região Sul deve registrar chuvas acima da média nos próximos três meses. Os maiores desvios positivos, entre 50 e 100 mm, são previstos para o oeste e centro-sul de Santa Catarina, enquanto no centro do Rio Grande do Sul os desvios podem superar 100 mm. As temperaturas também devem ficar acima da média, com anomalias de até 2 °C no oeste da região.

O excesso de umidade deve manter os níveis de água no solo acima de 70% da capacidade disponível em toda a Região Sul. Ao mesmo tempo, o Inmet prevê aumento dos excedentes hídricos em setembro e outubro, com possibilidade de superar 150 mm por mês em áreas do Rio Grande do Sul, centro de Santa Catarina e sul do Paraná. A condição pode reduzir as janelas para operações de campo, dificultar o trânsito de máquinas e aumentar o risco de doenças nas culturas de inverno.

O boletim também aponta que o excesso de chuva pode interferir na colheita de trigo, cevada, canola e triticale, além de dificultar o preparo e a semeadura das culturas de verão, como milho, arroz irrigado e soja.

El Niño

O prognóstico do INMET também aponta a manutenção da fase quente do fenômeno ENOS. Em julho, o Índice Oceânico Relativo do Niño (RONI) na região Niño 3.4 atingiu 1,37, acima do limiar de 0,5. A análise probabilística do IRI indica aproximadamente 100% de probabilidade de ocorrência de El Niño no trimestre agosto-setembro-outubro, com elevada probabilidade de continuidade da fase quente até o trimestre janeiro-fevereiro-março de 2027.
 

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Fonte:
Notícias Agrícolas

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