Açúcar fecha em alta com mercado atento ao clima e à oferta global

Publicado em 13/08/2026 16:01
Cotações avançam nas bolsas de Nova Iorque e Londres, apoiadas por preocupações com a produção na Europa, Brasil e Índia e pelas projeções de déficit na safra 2026/27

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Os preços do açúcar fecharam em alta nesta quinta-feira (13) nas bolsas internacionais, impulsionados pelas preocupações com possíveis perdas na produção global provocadas pelas condições climáticas. Apesar dos ganhos, as cotações permaneceram abaixo das máximas de um ano registradas na sessão anterior, enquanto o mercado segue atento ao balanço de oferta e demanda para a safra 2026/27.

Em Nova Iorque, o contrato de outubro subiu 40 pontos, encerrando a 16,82 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato de açúcar branco de outubro avançou 110 pontos, para US$ 517,90 por tonelada.

Clima aumenta preocupação com a oferta

Na Europa, a combinação de seca e temperaturas elevadas deve reduzir a produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido para 14,98 milhões de toneladas neste ano, segundo dados da S&P Global Energy. Se confirmado, será o menor volume em 11 anos.

No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a produção do Centro-Sul também apresentou forte retração. Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostraram queda de 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

A redução da produção brasileira reforça a percepção de uma oferta global mais apertada e contribui para sustentar as cotações internacionais.

Índia monitora comportamento das monções

Na Índia, segundo maior produtor mundial, o comportamento das chuvas de monção continua no radar dos investidores.

O Departamento Meteorológico da Índia informou nesta quinta-feira que a precipitação acumulada da temporada, entre junho e setembro, estava 12% abaixo do normal até 13 de agosto. Apesar de o déficit permanecer estável em relação aos dias anteriores, houve melhora significativa frente aos 42% abaixo da média registrados até 30 de junho.

Em 31 de julho, o órgão havia indicado que as chuvas durante agosto e setembro provavelmente ficariam abaixo do normal. O Ministério de Ciências da Terra também alertou que a temporada de monções deste ano pode ser a mais fraca em 11 anos.

Déficit global sustenta valorização

As perspectivas de uma oferta mundial mais restrita em 2026/27 continuam dando suporte aos preços.

A Covrig Analytics passou a projetar um déficit global de 300 mil toneladas, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.

A Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit para 3,3 milhões de toneladas, ante 1,76 milhão de toneladas anteriormente. A StoneX também revisou sua projeção, passando de 550 mil para 1,7 milhão de toneladas de déficit.

Já a Czarnikow alterou sua estimativa de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas na próxima temporada, considerando, entre outros fatores, o maior direcionamento da cana brasileira para a produção de etanol.

El Niño permanece no radar

Outro fator de sustentação para o mercado é a possibilidade de impactos do El Niño sobre a produção mundial. O fenômeno tende a alterar os padrões de chuva em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.

Em julho, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos indicou que o El Niño formado no Pacífico Equatorial poderia estar entre os episódios mais fortes em mais de 75 anos.
 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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