Exportações de grãos da Rússia e Ucrânia pelo Mar Negro praticamente param
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Por Pavel Polityuk e Olga Popova
KIEV/MOSCOU, 19 Ago (Reuters) - Os ataques a portos e navios interromperam mais de 97% da capacidade de exportação de grãos da Rússia e da Ucrânia no Mar de Azov e do Mar Negro, cortando uma importante fonte de suprimentos de baixo custo e contribuindo para a alta dos preços globais.
Os dois principais exportadores de grãos intensificaram os ataques no último mês, deixando os importadores do Oriente Médio, da África e da Ásia diante da perspectiva de ter que adquirir grãos de fornecedores de custo mais elevado, como a Austrália e os Estados Unidos (EUA).
Juntas, a Rússia e a Ucrânia exportaram, em média, 7,2 milhões de toneladas métricas de grãos por mês a partir de terminais na região do Mar de Azov e do Mar Negro na última safra, de acordo com cálculos da Reuters baseados em dados oficiais e estimativas de analistas.
Atualmente, não há embarques a partir dos terminais ucranianos no Mar Negro. Na Rússia, o único terminal de grãos que não está oficialmente fechado é uma pequena instalação em Tuapse, com capacidade de cerca de 160 mil toneladas por mês, segundo autoridades e fontes do setor.
As paralisações representam uma perda de mais de 97% da capacidade de exportação de grãos em comparação com a última safra, mostram os cálculos da Reuters.
PREÇOS IMPULSIONADOS PELAS PARALISAÇÕES
"No momento, o transporte civil no Mar Negro está praticamente paralisado", disse Yevgeny Karabanov, chefe do comitê analítico da União de Grãos do Cazaquistão, que também transporta grãos por portos russos.
Os preços globais do trigo subiram cerca de 6,5% neste mês e estão agora aproximadamente 30% mais altos do que há um ano.
Embora os grandes estoques e as safras mais abundantes tenham permitido que os importadores adiassem as compras, os comerciantes afirmam que a pressão para garantir o abastecimento está aumentando, pois não há sinais de desescalada na região do Mar Negro.
Várias embarcações que carregavam ou se preparavam para carregar grãos em portos russos foram atingidas por drones nesta semana, segundo fontes.
Analistas da Rusagrotrans, parte da Demetra Holding, estimam as exportações de trigo da Rússia em agosto em 1,8 milhão de toneladas, o nível mais baixo para o mês desde 2010.
Fontes do setor afirmaram que os principais terminais de grãos russos em Novorossiysk, incluindo NZT e NKHP, foram fechados após um ataque com drones ucranianos.
O KSK, maior terminal de grãos da Rússia, suspendeu as entregas e exportações de grãos, enquanto as operações no terminal de grãos de Taman também foram interrompidas.
Os portos marítimos ucranianos no complexo portuário de Odessa efetivamente interromperam suas operações no final de julho. Até meados de agosto, nenhuma nova escala de navios havia sido registrada, afirmou o ministro da Agricultura, Taras Vysotskyi, na semana passada.
A Ucrânia está exportando grãos por meio de conexões ferroviárias com a Europa Oriental e portos do rio Danúbio, cada um responsável por cerca de 45% dos embarques, com os 10% restantes transportados por rodovia.
"Esperamos conseguir atingir 50% do nosso potencial de exportação caso os portos permaneçam bloqueados", disse Vysotskyi.
A Rússia pode redirecionar algumas exportações por meio dos portos do Báltico, do Cáspio e do Extremo Oriente, embora as distâncias de transporte mais longas provavelmente criem desafios logísticos e aumentem os custos.
(Reportagem de Pavel Polityuk e Olga Popova
Reportagem adicional de Gleb Stolyarov, em Moscou, e Gus Trompiz, em Paris)
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